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terça-feira, 7 de abril de 2020

55-NOSSA SENHORA DE LORETO (PADROEIRA DOS AVIADORES), DIA 10 DE DEZEMBRO

        A santa de Loreto, é a casa que testemunhou o grande mistério da Encarnação do Filho de Deus, é portanto, a casa que morava Nossa Senhora, e onde lhe apareceu o arcanjo são Gabriel, para anunciar-lhe que tinha sido escolhida para ser a Mãe do Messias, que ia nascer; e foi nessa casa privilegiada que Jesus Cristo habitou durante 30 anos de sua vida oculta. 
        A piedosa imperatriz santa Helena fez encerrar a Santa Casa de Nazaré num magnífico templo, conservando intacta essa casa preciosa em que habitava a sagrada Família, a qual foi sempre visitada pelos mais ilustres personagens.
        Tendo, porém, os muçulmanos do Egito, no fim do século XIII, feito uma irrupção na Palestina, destruíram o templo em que se achava a casinha de Nazaré, que assim ficaria exposta a todas as profanações. Mas Deus subtraiu ao furor dos ímpios esse precioso santuário por meio de um dos maiores prodígios milagres da História!
        No dia 10 de maio de 1291, viram, de repente, perto de Tarso, na Dalmácia, uma casinha situada num outeiro onde nunca se tinha visto nem a mais simples choupana; e a surpresa ainda foi maior quando algumas pessoas afirmaram ter visto essa casa suspensa no ar antes de pousar no outeiro. 
Espalhando-se a notícia do prodígio, o povo se desloca de todos os lugares e nota com espanto que está assentada em um terreno desigual e sem alicerces. Penetrando no interior, o povo ainda se admira com os objetos religiosos que descobre: um altar, uma cruz, e uma imagem representando Maria Santíssima com o Menino Jesus. 
        De repente chega também ao santuário o pároco outro lugar, que estava doente havia três anos, sem esperança de sarar, e conta que Maria Santíssima lhe tinha aparecido, e depois de curá-lo lhe dissera que a casa, recém chegada ao seu país, era sua casinha de Nazaré, onde por obra do espírito Santo concebera o Verbo de Deus. 
        Não é fácil dar uma ideia da alegria do povo vendo seu pároco repetidamente curado, e ouvindo a narração do que lhe foi revelado por Maria Santíssima!
        O governador da Dalmácia admirado de tão maravilhosa transladação manda a casa de Nazaré 4 emissários para verificarem se de fato a casa de Maria tinha desaparecido, se os seus alicerces tinham ficado lá, etc.
        E os delegados, chegados a Nazaré, adquiriram plena certeza de que a casa aparecida na Dalmácia era realmente a casa em que tinha morado a sagrada Família. Mas não se sabe por que motivo a Dalmácia perdeu tão depressa o precioso tesouro.
        Em 10 de dezembro de 1294, a Santa Casa se elevou de novo nos Ares e, atravessando o mar Adriático, foi colocar-se no meio de um bosque de loureiros, a pouca distância da cidade de Recanati, na Itália. O bosque de loureiros, no qual foi pousar a Santa Casa, parece ser a origem do nome que lhe deu, de Santa Casa de Loreto, e, depois, Nossa Senhora de Loreto, por causa da imagem de Nossa Senhora que havia no interior da casinha. 
        Os primeiros a contemplar esse novo prodígio foram simples pastores, que revelaram, durante a noite, guardando seus rebanhos.
        Uma luz estranha, que rodeava a Santa Casa, inspirou o desejo de verem de perto a causa desse fenômeno; aproximando-se, ficaram admirados à vista de uma casa desconhecida e dos objetos religiosos que encerrava, e com profunda veneração, passaram o resto da noite em oração naquele lugar sagrado. 
        A notícia desse acontecimento espalhou-se logo, e atraiu grande número de piedosos romeiros, sendo em breve esse movimento de fé favorecido por milagres e Graças extraordinárias. 
Enquanto a multidão, de piedosos fiéis, acode a essa nova fonte de graças, o inimigo do gênero humano se esforça por tomá-los inúteis, infestando aqueles lugares de furtos e rapinas por cuja causa ia diminuindo o curso dos fiéis.
        Deus, porém, remediou esse inconveniente com uma nova transladação: 8 meses depois de sua chegada ao bosque de loureiros, a Santa Casa foi transportada de repente para um outeiro situado também a pouca distância da cidade de Recanati, lugar pertencente a dois irmãos. Mas, como esses dois irmãos se armassem um contra o outro, excitados pela cobiça das riquezas, ofertas que ali se faziam, Deus, que detesta as dimensões fraternas e cobiça, transportou mais uma vez a Santa Casa, colocando-a a pequena distância, em Outeiro mas elevado. Essa última transladação deu-se quase no fim de 1295, e o outeiro sobre o qual pousou foi depois nivelado, e se acha agora no centro da cidade, que ali se erigiu, e que tomou o nome de Loreto. 
        As quatro transladações da casinha de Nossa Senhora contribuíram para despertar cada vez mais a curiosidade e a devoção dos fiéis, não somente das províncias próximas, mas até dos países mais remotos, enriquecendo-se esse augusto santuário com os mais preciosos donativos. 
A Santa casa do Loreto foi depois encerrada em uma vasta e magnífica igreja.
        O Papa Sixto V, no século XVI, fundou a Ordem Militar dos Cavalheiros de Loreto, para proteger toda a região contra os criminosos e fez gravar na fachada, em caractere de ouro, esta breve inscrição: 

Casa da Mãe de Deus, 
onde o Verbo se fez carne.

        Muitos santos e papas já a visitaram. Entre eles está São Francisco de Sales, que fez ali o seu voto de castidade; Santa Teresinha de Lisieux, que visitou a casa antes de pedir permissão ao papa e entrar para o Carmelo; João XXIII foi até ela para pedir proteção a Virgem de Loreto para o Concílio Vaticano II e João paulo II a visitou muitas vezes. 
        Pode-se dizer sem contradição que esse Santo lugar se tornou um dos mais privilegiados do mundo.
        A igreja forma uma cruz Latina, cujo centro é coroado com uma esplêndida cúpula ornada de uma lanterna, que o peregrino saúda de muitas léguas de distância.
        Da Itália a devoção passou para Portugal em cuja capital se encontra bonita imagem da Madona de Loreto, muito venerada pela população lisboeta; e de lá, naturalmente, veio para o Brasil.
        Em Jacarepaguá, próximo à cidade do Rio de Janeiro, foi construída em 1664 pelo padre Manuel de Araújo a igreja  ao lado, dedicada a Nossa Senhora de Loreto. A imagem da Virgem com o Menino Jesus nos braços que está colocada sobre o altar-mor é muito antiga e reproduz fielmente o quadro existente na casinha de Loreto.
        Devido à milagrosa transladação aérea da residência de Nazaré, feita pelos anjos, Nossa Senhora de Loreto é considerada a Padroeira dos Aviadores em todos os países católicos. Por esse motivo a igrejinha de Jacarepaguá foi elevada a Santuário Nacional da Aviação Civil e Militar do Brasil, por decreto do Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro D. Jaime de Barros Câmara. Em dezembro de 1967, celebrou-se ali uma missa solene oficiada pelos capelões militares da Aeronáutica. Após comovente cerimônia realizada na porta da matriz, enquanto um helicóptero jogava pétalas de rosas sobre a tropa e o povo, a esquadrilha da fumaça fazia evoluções sobre o local em saudação à igreja.
        Na base aérea de belo Horizonte foi também entronizada uma bonita efígie da Virgem de Loreto, abençoada pelo Papa Paulo VI e trazida para o Brasil por um dos grupos de transporte da FAB encarregados de missão em Suez, tendo sido na mesma ocasião lançada a pedra fundamental da capela daquele núcleo militar. Todos os centros de Aeronáutica do Brasil tem templos sob a invocação de Nossa Senhora de Loreto, com seis atualmente no Brasil.
        A Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, publicou na quinta-feira, 31 de outubro de 2019, um decreto que inclui a celebração da Bem-Aventurada Virgem Maria de Loreto no Calendário Romano Geral, a ser celebrada, como memória facultativa, em 10 de dezembro.

ORAÇÃO:
Ó Maria, Virgem Imaculada 
e Mãe nossa Santíssima, 
prostrados em espírito 
junto de vossa santa casa, 
que os anjos transportaram 
para a ditosa colina de Loreto, 
cheios de confiança em vós, 
Mãe santíssima, 
humildemente elevamos a nossa prece. 
Entre esses santos muros 
vós fostes concebida sem pecado 
e mais bela que a aurora viestes à luz; 
na oração e no amor mais sublime, 
passastes os dias de vossa infância e juventude; 
aí fostes saudada pelo anjo- 
"Bendita entre as mulheres"- 
e vos tornastes Mãe de Deus. 
Por tudo isso, ó Maria, 
vossos olhos misericordiosos a nós volvei, 
humildes filhos vossos, 
peregrinos neste vale de lágrimas, 
e concedei-nos todas as graças que vos pedimos. 
Abençoai nossas famílias, 
consolai nossos doentes, 
dirigi os nossos passos para a bem-aventurança eterna, 
onde vos possamos saudar com o anjo: 
"Ave Maria!"

ABAIXO UM ARTIGO DO SITE LEPANTO SOBRE AS COMPROVAÇÕES CIENTÍFICAS DO MILAGRE DA TRANSLADAÇÃO DA SANTA CASA DE LORETO

Santa Casa de Loreto

A transladação da casa na qual Nossa Senhora viveu em Nazaré. Comprovações científicas surpreendentes.

        Em Nazaré, Terra Santa, sob a cúpula da igreja da Anunciação também se venera o local onde aconteceu este sublime mistério.
        Como se explica essa aparente duplicidade de endereços?
        A contradição, ou superposição de atribuições, encerra maravilhosos fatos religiosos, notadamente a translação da Santa Casa de Nazaré até Loreto por obra dos anjos.
        Mas, o que diz a ciência a respeito?
        Não é tarefa da ciência declarar se um fato foi miraculoso ou não, se foram os anjos ou não. Mas, analisar a realidade segundo seus métodos, instrumentos e objetivos próprios.
        E as ciências trabalhando sobre o mistério da Santa Casa de Nossa Senhora vêm trazendo a lume revelações materiais que explicam o acontecido e reforçam a fé e um modo maravilhoso.
Eis um apanhado de algumas descobertas feitas nas últimas décadas.

O Altar dos Apóstolos na Santa Casa

        O arquiteto Nanni Monelli e o Pe. Giuseppe Santarelli, diretor-geral da Congregação da Santa Casa de Loreto, constataram que as pedras que se encontram na Gruta da Anunciação, em Nazaré, Terra Santa, têm a mesma origem da pedra do altar dos Santos Apóstolos que está na Santa Casa de Loreto, na Itália.
        O Altar dos Apóstolos é constituído por uma pedra – hoje coberta por uma grade de metal – trabalhada em estilo nabateano, típico da Palestina.
        E leva esse nome porque nele os Apóstolos teriam celebrado a Missa quando iam a Nazaré visitar a casa de Nossa Senhora. 
        O Prof. Giorgio Nicolini, especialista na matéria, é o autor do livro La veridicità storica della miracolosa Traslazione della Santa Casa di Nazareth a Loreto (“A veracidade da milagrosa trasladação da Santa Casa de Nazaré a Loreto”).
        Ele explicou à agência Zenit que “sobre a autenticidade da Santa Casa de Loreto enquanto verdadeira Casa de Nazaré de Maria jamais houve dúvida alguma, a não ser da parte daqueles que não conhecem os estudos científicos a respeito. 
“Isso é tão verdadeiro que todos os Sumos Pontífices, durante sete séculos, confirmaram a autenticidade com solenes atas canônicas de aprovação”.
        Nicolini acrescentou que este estudo sobre o Altar dos Apóstolos “é importante porque, além de proporcionar uma ulterior prova da autenticidade da Santa Casa de Loreto como a Casa de Maria em Nazaré, proporciona também uma prova ainda mais espetacular da milagrosa trasladação da Santa Casa de Nazaré”.

Percurso do Altar e das paredes de Nazaré até Loreto

        A tradição sempre afirmou que entre 1291 e 1296 três paredes da Santa Casa de Nazaré foram miraculosamente transportadas a “vários lugares” pelo ministério angélico.
        Isto está registrado em documentos antigos nos quais se fala da presença desse Altar unido às três paredes.
        Por exemplo, em Tersatto, Dalmácia (hoje Trsat, Croácia), onde a Santa Casa esteve entre 10 de maio de 1291 e 10 de dezembro de 1294. 
Por isso pode se afirmar que houve um duplo milagre. 
        Primeiro: o transporte milagroso das três santas paredes na sua integridade; e, em segundo lugar, junto com elas, mas como um objeto distinto da casa, o Altar dos Apóstolos.
        Em seu livro, Nicolini demonstra que do ponto de vista histórico e arqueológico pelo menos cinco translações milagrosas ficaram constatadas de modo indiscutível entre 1291 e 1296.
        A primeira levou a Santa Casa até Tersatto (Croácia); a segunda até Posatora (província de Ancona, Itália); a terceira até a floresta da senhora Loreta, na planície que está sob a atual cidade de Loreto (cujo nome deriva precisamente do nome dessa senhora); a quarta até a roça de dois irmãos sobre o morro lauretano (conhecido também como Monte Prodo); e a quinta até uma estrada pública, onde ainda se encontra sob a cúpula da magnífica basílica posteriormente construída em volta.
        Todas estas mudanças foram registradas nos diversos lugares por testemunhas oculares contemporâneas. 
As mudanças foram rigorosamente controladas pelos Bispos diocesanos da época, que emitiram pronunciamentos canônicos sobre a veracidade dos fatos e dos testemunhos.
        Para maior confirmação ainda ficam as igrejas construídas nos diversos locais na época das mudanças e consagradas pelos Bispos de Fiume, Ancona, Recanati, Macerata e Nápoles, entre outros.
        Nicolini esclareceu que em Loreto se encontram apenas as três paredes que constituíam o quarto de Nossa Senhora, geralmente chamado de Santa Casa, local onde aconteceu a Anunciação.
        A quarta parede do quarto é a gruta, a qual pode ser visitada na igreja da Anunciação em Nazaré, Terra Santa. Ali só ficaram a gruta e os alicerces da Casa. 
        Enquanto em Loreto se venera a Casa desprovida de seus alicerces, em Nazaré ficaram a gruta e os alicerces sem a casa. 

Análise de pedras, tijolos e argamassa

        Ao mesmo tempo em que a análise química da massa que une as pedras apresenta características típicas da zona de Nazaré, sua homogeneidade exclui qualquer possibilidade de uma hipotética desmontagem e remontagem das pedras.
        A massa foi feita com sulfato de cálcio hidratado (gesso) engrossado com pó de carvão de madeira, segundo uma técnica utilizada na Palestina há 2.000 anos, mas jamais empregada na Itália.
        Portanto, a Santa Casa chegou a Loreto com as pedras e os tijolos unidos pela mesma massa usada para uni-los há 2.000 anos em Nazaré, assim se encontrando até hoje. 

Ensinamento dos Papas sobre a Santa Casa de Loreto

        O Bem-aventurado Papa Pio IX escreveu na Carta Apostólica Inter Omnia, de 26 de agosto de 1852:
“Entre todos os Santuários consagrados à Mãe de Deus, a Imaculada Virgem Maria, um se encontra no primeiro lugar e brilha com incomparável fulgor: a venerável e augustíssima Casa de Loreto. 
“Consagrada pelos mistérios divinos, ilustrada por inumeráveis milagres, honrada pelo concurso e afluência dos povos, a glória de seu nome atinge toda a Igreja Universal, e constitui muito justamente objeto de culto para todas as nações e para todas as raças humanas. 
“Em Loreto venera-se aquela Casa de Nazaré, tão querida ao Coração de Deus, e que, fabricada na Galileia, foi mais tarde separada de suas bases e, pela força divina, trasladada além do mar, primeiro à Dalmácia e logo à Itália”.
        E o Santo Pontífice acrescentou: “Exatamente em aquela Casa, a Santíssima Virgem, que por eterna e divina disposição ficou perfeitamente isenta da culpa original, foi concebida, nasceu e cresceu, e o celestial mensageiro A saudou ‘cheia de graça’ e ‘bendita tu és entre todas as mulheres’. 
“Exatamente naquela Casa, Nossa Senhora, repleta de Deus e sob a ação fecunda do Espírito Santo, sem perder nada de sua inviolável virgindade, tornou-se a Mãe do Filho Unigênito de Deus”.
        Por sua vez, o Sumo Pontífice Leão XIII escreveu no Breve Felix Nazarethana, de 23 de janeiro de 1894: 
“Compreendam todos, e em primeiro lugar os italianos, quão especial dom lhes foi concedido por Deus que, com suma providência, subtraiu prodigiosamente a Casa a um poder indigno [N.: refere-se aos muçulmanos] e com um expressivo ato de amor ofereceu-a a eles. 
“De fato naquela beatíssima moradia foi sancionado o início da salvação humana, com o grande e prodigioso mistério de Deus se fazendo homem, que reconcilia a humanidade perdida com o Pai eterno e renova todas as coisas”. 
        E ainda: “Deus quis de tal maneira exaltar o Nome de Maria para tornar realidade neste lugar (Loreto), aquela famosa profecia: ‘Todas as gerações chamar-me-ão bem-aventurada’”.
        Numerosos Papas aprovaram ininterruptamente desde o início a veracidade histórica do milagroso traslado da Santa Casa, engajando sua Suprema Autoridade Apostólica: desde Nicolau IV em 1292 até João Paulo II em 2005. S.S. Bento XVI visitou Loreto em 2007.
        Entre os primeiros Papas que reconheceram oficialmente o prodígio da translação angélica se destacam Pio II, Paulo II, Sixto IV, Clemente VII, Leão X e Sixto V.

domingo, 20 de janeiro de 2019

47-NOSSA SENHORA LA PURÍSSIMA (PADROEIRA DE NICARÁGUA), DIA 08 DE DEZEMBRO

        ”Salve, ó Virgem puríssima - Concebida sem pecado.”
        Essa é a saudação dos nicaragüenses devotos da Virgem, numa piedosa tradição que vem dos seus colonizadores no início do século XVI.
        Gil Gonzalez de Ávila, explorador espanhol, devotissimo de Maria, costumava distribuir aos índios, em suas expedições, medalhinhas e imagens da Virgem. Estes recorriam a ela em suas necessidades e orações.
        Essa devoção achou terreno fértil entre os nicaragüenses e floriu na linguagem popular, dentro das famílias, nas canções populares, com o título de Nossa Senhora La Purissima, destacando a pureza de Maria.
        Hoje as famílias celebram na Nicarágua as "Purissimas", ou novenas dedicadas à Virgem La Purissima, em preparação à festa da padroeira, que acontece em 8 de dezembro de cada ano.
Ao redor da imagem reúnem-se familiares, amigos e vizinhos para elevar suas preces e louvores à Mãe querida. Essa novena termina com a "Gritaria", no dia 7 de dezembro, véspera da grande festa, quando os fiéis, em alegria incontida, saúdam a Virgem com o grito tradicional:
        "De onde nos vem tanta alegria?", e respondem:
        "Da Conceição de Maria". E à meia-noite ouvem-se os sinos das cidades e das vilas de todo o país, e intermináveis fogos de artifício clareiam o céu para inaugurar o dia festivo de Nossa Senhora La Purissima.
        Com essa devoção difundiu-se também a oração do rosário.
        No mês de outubro, celebra-se o "Atabale", costume que reúne o povo, em todos os sábados de outubro, para a reza solene do Rosário. Nesses dias o Atabale, ou tambor, percorre as ruas da cidade, principalmente a cidade de Granada, conduzindo a Imagem da Virgem ao som de instrumentos, de cânticos populares e da recitação dos Mistérios do Rosário.


ORAÇÃO:
Ó Virgem Puríssima, 
terror do inferno e dos anjos imundos e rebeldes, 
vós que sois o mais belo lírio entre os espinhos, 
a mais bela rosa do jardim do Senhor. 
Vós que sois mais pura que todos os anjos juntos 
e que todos os seres da criação. 
Viemos por meio dessa humilde prece 
vos suplicar em nossa baixeza e indignidade,
suplicar ao Senhor, justo juiz, 
que desvie o olhar de nossas impurezas e imperfeições,
que nos distanciam da visão beatífica 
e de seu majestoso convívio. 
Dignai-vos Senhora, 
mãe das Virgens, 
acolher nosso firme propósito de nos emendar, 
de toda falta de amor e apego mundano, 
a fim de que possamos ter um coração puro e santo. 
Amém.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

39-NOSSA SENHORA DE CAACUPÊ (PADROEIRA DO PARAGUAI), DIA 8 DE DEZEMBRO


        A 8 de dezembro, dia da Imaculada Conceição de Maria, o Paraguai comemora a festa de sua Padroeira, Nossa Senhora de Caacupê. Nesta grande data a missa solene é acompanhada por um coral de 150 jovens, uniformizados com botas azuis e gravatas brancas, preparados durante três meses para homenagear a querida Mãe Celestial.
        Esta devoção teve origem em bonita lenda paraguaia, que conta o seguinte. Um índio guarani se encontrava em desespero, pois estava sendo perseguido por um grupo de índios embayaés, que queriam matá-lo. Certa manhã, quando se encontrava rachando lenha num morro perto da redução de Tobati, viu seus inimigos se aproximarem e não sabia como esconder-se. Lembrou-se então que a Virgem cultuada em sua vila pelos padres franciscanos o livraria do perigo e sentiu um vento suave sibilando aos seus ouvidos, como se alguém lhe dissesse para trepar em frondosa árvore, que se encontrava ali perto.
        Subiu rapidamente para cima da árvore e seus perseguidores passaram por baixo sem vê-lo. No terrível momento de aflição, prometeu à Mãe Santíssima que, se Ela o salvasse, esculpiria uma imagem num galho da árvore que o protegera. Cumpriu então a sua promessa talhando duas efígies da Imaculada Conceição, uma delas maior, destinada à igreja de Tobati e outra menor, para sua devoção particular. Esta é a que se encontra em Caacupê.
        Perto da taba guarani, havia uma fonte que fornecia o precioso líquido aos moradores da vizinhança. Por volta do ano 1600, por causa de uma falha geológica, ela se desdobrou de forma nunca vista, inundando as aldeias da região e semeando a desolação e a morte. Foi então que o missionário Padre Bolaños, "radiante de fé ante a majestade da catástrofe", levantou sua cruz de apóstolo e conjurou as águas embravecidas, dizendo: "Deste ponto não passará". O Tapaicuá se acalmou, recolhendo-se aos limites demarcados pelo Santo Sacerdote, formado assim o lago de Ipacaraí. Quando as águas se tranquilizaram, a população viu restos de choupana, cadáveres e árvores passarem por suas terras. De repente, um índio carpinteiro chamado José viu flutuar na correnteza estranho objeto de forma tubular. Lançou-se então às águas e o resgatou. Ante a curiosidade geral começou a abrí-lo, encontrando, depois de separados vários envólucros, uma imagem da Virgem Maria protegida por flocos de algodão. Todos os presentes a identificaram como sendo a efígie talhada pelo índio guarani, pois conheciam a sua história.
        Como poderia aquela escultura ter parado ali? A hipótese mais provável é a de que o artista, ao passar com ela pelo lugar, teria sido surpreendido pela catástrofe e morrido durante a inundação.
        Alguns anos depois, o índio José foi encarregado pelo padre da redução missioneira para buscar madeira nos montes Caacupé, situados nas proximidades. José se encantou com o lugar e ali se estabeleceu com sua família, construindo ao lado de sua moradia um pequeno oratório, onde colocou a Virgem Milagrosa. A devoção à "Virgencita" se espalhou rapidamente devido aos milagres e favores obtidos por seus devotos.
Mais de cem anos se passaram até que em 1750 a milagrosa imagem foi oferecida à família Aquino, de Caacupé, com a condição de que fosse construído um oratório digno da fama de tão precioso tesouro. No entanto, foi a dama espanhola Dona Joana Curtido de Garcia quem aceitou a oferta e mandou edificar, em sua propriedade, uma capela para a "Virgencita", formalizando a doação em 1765. A população começou a aumentar em torno do templo, nascendo assim a vila de Caacupê, tendo como primeiro nome o de "Capelinha dos Milagres".
        A notícia dos favores concedidos pela Virgem Maria a seus devotos trouxe à localidade grande número de peregrinos, que chegaram de diversos lugares. Caacupê se transformou no Centro Religioso da Colônia Morpfi. Dom Carlos Antonio López a elevou a freguesia e seu primeiro pároco foi o padre Juan José Jimenez.
        Em uma noite de tempestade, no ano de 1852, um raio reduziu a cinzas o cortinado que cobria o camarim da Virgem e a pintura de seu rosto ficou seriamente danificada. Este acontecimento produziu grande consternação entre o povo, que o considerou um mau presságio, confirmado mais tarde pela guerra da Tríplice Aliança (Guerra do Paraguai). A imagem foi restaurada em 1855 pelo pintor Manuel Marcos, natural de Assunção, permanecendo como é admirada hoje em dia.
        O ditador Solano López, ao retirar-se de Cerro Corá, quando já era iminente o desenlance da guerra, instalou o seu acampamento a 5k, de Caacupê, no local denominado Ascurra e pediu ao pároco para celebrar uma solene missa, seguida de procissão, em homenagem à padroeira do Paraguai. Foi a última celebração antes do grande desastre da rendição paraguaia. Somente após 15 anos a imagem da Virgem percorreu novamente as ruas de seu povoado.
A festa da Senhora de Caacupê é a mais importante do país. Tem início no dia 28 de novembro com uma novena que termina na data da Padroeira. No início das festividades os festeiros soltam uma cópia da imagem da "Virgencita" presa a enorme bexiga de ar, amarrada a outras menores. No lugar em qeu ela cair, levada pelo vento, o povo a transporta para o altar da capela local, onde é rezada solene missa na data consagrada à Imaculada Conceição de Maria.
        No dia 8 de dezembro, desde a maia noite até o amanhecer, todos os artistas paraguaios cantam serenatas em louvor à Santa Protetora, terminando com a celebração dos Ofícios Divinos às 6 horas da manhã, seguidos de uma procissão de despedida. Muitos devotos vem de longe para a cerimônia religiosa, cumprindo promessas pelas graças recebidas. Os romeiros caminham cantando e rezando todos juntos como irmãos, até o lugar da igreja, oferecendo seu sacrifício e demonstrando sua fé na milagrosa Padroeira.
        No local em que estava situada a antiga capela de 1770, está sendo construído um  novo e majestoso templo, iniciado em 1945. No final de 1980 a preciosa imagem foi transladada com seu camarim para a parte baixa do Santuário, onde continua recebendo o amor e as homenagens de suas devotos, até que seja levada definitivamente para o seu trono na parte superior da grandiosa catedral, que está sendo concluída graças aos esforços do Sr. Bispo Diocesano, Monsenhor Demátrio Aquino, e à generosidade de seus filhos.
        Nossa Senhora de Caacupé é a Estrela, a Rainha e a Mãe de todo o povo paraguaio, cujo país nasceu sob o signo da Virgem Maria. Em seus 400 anos a formação de sua nacionalidade. Caacupê não é apenas um centro religioso, mas sim a capital espiritual do Paraguai.

ORAÇÃO:
Santíssima Mãe de Deus e nossa Mãe, 
do Santuário de Caacupê 
cobri com vosso manto protetor 
vossos devotos e todo o Paraguai. 
Intercedei por nossos pais, 
benfeitores, 
pelos desvalidos 
e todos os que necessitem 
de perdão e misericórdia. 
Protegei a nossa Santa Mãe Igreja 
e alcançai luz aos magistrados 
para que façam justiça 
e haja paz entre os homens. 
Depois da graça particular que pedimos, 
alcançai-nos também a graça maior 
de perseverar em nossa fé 
e no vosso amor, 
para assim merecermos 
a realização da promessa 
que nosso Senhor Jesus Cristo 
nos fez quando disse: 
"Aquele que persevera até o fim se salvará". 
A vós pois, 
Mãe querida, 
clamamos para que nos obtenhais tão singular favor. 
Amém.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

29-NOSSA SENHORA DE GUADALUPE (PADROEIRA DO MÉXICO E DA AMÉRICA LATINA), 12 DE DEZEMBRO


  
        O autor desse blog tem grande apreço a Virgem de Guadalupe. "A imagem de Guadalupe parece ter o que chamamos de dom de línguas, isto é, Ela fala a cada um em seu próprio idioma, aos cientistas fala pela ciência, aos historiadores Ela fala pela história, aos antropólogos pela antropologia, e ao longo da história, podemos imaginar que nas aparições do século XVI ela tenha falado aos índios através desta imagem que para eles era um códice, para os índios a imagem era um modo de se comunicar, e eles leram nesta imagem uma série de mensagens, uma mensagem de amor" (trecho do documentário de Nossa Senhora de Guadalupe, no vídeo abaixo).
        A devoção a Nossa Senhora no México é embalada por uma belíssima história de aparição.
        No início do século XVI, na madrugada do dia 9 de dezembro de 1531, o índio recém batizado, Juan Diego, quando se dirigia à capela para assistir à missa, passando pela colina de Tepeyac, ouviu uma suave melodia.
        Olhando para o lado, viu sobre uma nuvem branca uma linda senhora que resplandecia de luz, tendo ao seu redor um brilhante arco-íris. Surpreso, ouviu-a chamá-lo pelo nome e dizer-lhe que era a verdadeira Mãe de Deus.
        Incumbiu o índio de dizer ao bispo do local, Dom Juan de Zumárraga, que construísse naquele local um templo para sua veneração.
        Dom Juan de Zumárraga, não acreditou na história do índio e lhe pediu um sinal da Virgem Maria.
       De volta, Juan Diego desanimado pediu à Senhora com toda a humildade que escolhesse outro mensageiro mais importante.
        Nossa Senhora respondeu-lhe, porém, que não faltariam pessoas de projeção social que tivessem prazer de serví-la, mas ele fora o escolhido. Como o bispo houvesse exigido uma prova concreta, a Mãe de Deus recomendou a Diego que voltasse no dia seguinte, quando receberia o sinal desejado.
        Juan Diego, entretanto, voltando para casa, encontrou seu tio e pai de criação gravemente enfermo, razão pela qual na manhã seguinte saiu à procura der um padre para administra-lhe os últimos sacramentos, desviando-se então da colina onde lhe aparecera a Virgem Santíssima.
        Seguia apressado por um atalho, quando ouviu uma voz que lhe perguntou: "Aonde vais?" O índio, envergonhado, desculpou-se, mas a Mãe Boníssima replicou-lhe que não se preocupasse com a doença do tio, pois ele estava curado.                 Vendo que o índio se tranquilizara, a celestial Senhora ordenou-lhe que subisse ao cume do outeiro e colhesse todas as rosas que pudesse, recolhendo-as em sua capa, mas não as mostrando a ninguém, a não ser ao bispo.
        Naquela época do ano, a colina era coberta de neve, o que seria impossível a germinação de rosas, sendo esse um dos milagres da história da Virgem de Guadalupe.
        Chegando ao palácio episcopal, o humilde silvícola desdobrou seu manto perante o prelado que viu a imagem da Virgem Maria pintada na capa, de onde caíam rosas. Embaixo das flores, bordada no manto do índio, aparece a figura da Virgem de Guadalupe.   
        Admiradíssimo com o prodígio das rosas frescas e balsâmicas em pleno inverno, e emocionado ao contemplar a maravilhosa imagem, o bispo caiu de joelhos e beijou piedosamente a fímbria daquele tosco pano de pita trançada.
        Em seguida, retirando a capa do índio, levou-a ao seu oratório e pediu a Diego para lhe mostrar o local da aparição.
        Dom Juan teve a confirmação que tinha pedido e, seguindo as instruções de Nossa Senhora, providenciou a construção da Igreja em sua honra, que até hoje é venerada sob o título de Nossa Senhora de Guadalupe.
        Ao voltar para casa, o feliz neófito encontrou seu tio completamente curado, o qual lhe disse ter sido visitado por uma Senhora de beleza jamais vista que lhe falara com carinho e dissera desejar ser chamada "Tequathanouph", isto é, "que teve origem no cume de pedreira". Esta palavra, moldada à língua espanhola, transformou-se em Guadalupe.
        O retrato de Santa Maria de Guadalupe, na imagem ao lado, que até hoje se conserva no Santuário no México, foi feito sobre áspero tecido de fibras de pita. Todos os artistas que o examinaram exaltam a harmonia de linhas e a beleza do colorido, que não conseguem imitar.
        Representa Nossa Senhora de tez morena, com olhos claros e muito límpidos, vestida à moda das mulheres da Palestina, inclusive a forma de coifa com que o manto lhe cobre a cabeça, hábito que se conserva ainda hoje naquela região. 
        O manto de Juan Diego mantém-se perfeitamente conservado até nossos dias, apesar de se terem passado 470 anos, e o impressionante é que a média de duração do tecido usado por Juan Diego é de cerca de 20 anos. Podemos encontrá-lo no Santuário, onde é objeto de devoção e de profundo respeito por parte do povo fiel. O tecido, levado para uma capela, não sofreu o desgaste natural do tempo, e o mais impressionante é que em sua história, foi derramado ácido sobre ele e a mancha está desaparecendo gradativamente. O ácido não corroeu o tecido e o dano que causou está desaparecendo. Somente no século XX o tecido foi conservado em uma proteção de vidro, como está até hoje.
        O material e a técnica utilizados na confecção do quadro permanecem um mistério.
   A curiosidade maior são os olhos da Virgem nos quais, após estudos científicos, foi possível revelar-se a imagem de um homem de 50 anos, Juan Diego, e de um grupo de pessoas em oração. Nossa Senhora de Guadalupe é por isso lembrada para cura de doenças dos olhos.
        Muitos estudiosos analisaram a pintura original, hoje entronizada no santuário, na colina de Tepeyac, ao lado podemos ver o Santuário construído em honra a Virgem de Guadalupe, "La Morenita" como a chamam carinhosamente os mexicanos, aos quais tem a ela um grande apreço devocional como verdadeira Mãe.
        Professores de Universidades e pintores famosos, de renome internacional, declararam sob juramento que em algumas partes a pintura de Tepeyac parece a óleo e em outras a aquarela, porém não é uma nem outra. Nenhum tecido pode ser preparado ao mesmo tempo para as duas qualidades de tinta e aquele não possui qualquer preparo. As partes em dourado parecem ter o pigmento das mariposas, mas diferem porque o dourado não é superficial, mas está no âmago da fibra. O retrato da Virgem de Guadalupe foi, pois, enquadrado na classe das imagens aquiropitas, isto é, não pintadas por mãos humanas.
        No documentário abaixo, que a propósito é um dos melhores já feitos sobre a Virgem de Guadalupe, é narrada, além da história de Nossa Senhora, os estudos realizados que atestam a veracidade da história.
        De Portugal, para onde foi levada por dois lusitanos que estiveram no México, a devoção de Nossa Senhora de Tepeyac veio para a Terra de Santa Cruz com os primeiros colonizadores. Os pardos e os mestiços tomaram logo a Virgem Morena por Padroeira, erigindo-lhe templos na Bahia e em Olinda.
        Do México sua devoção foi levada a vários países da Europa e de toda a América Latina, quando em 1945, o Papa Pio XII, a declarou padroeira de toda a América.
Todo o registro histórico foi realizado em um famoso documento "Nican Mopohua" (Aqui se conta) de 1649, sendo esse o mais antigo registro do acontecimento e tendo a maior proximidade dos fatos de 1531, que você pode ler ou baixar em pdf nesse link.
        No vídeo abaixo é possível ouvir a música encontrada com a posição das estrelas, encontrado no manto de São Juan Diego:

ORAÇÃO DE SÃO JOÃO PAULO II A NOSSA SENHORA DE GUADALUPE 

Oh, Virgem Imaculada, 
Mãe do verdadeiro Deus e Mãe da Igreja!
Tu, que desse lugar 
manifestas tua clemência e tua compaixão 
a todos que solicitam teu amparo; 
escuta a oração que com filial confiança te dirigimos 
e a apresente a teu Filho Jesus, nosso único Redentor. 
Mãe de Misericórdia, 
Mestra do sacrifício escondido e silencioso, 
a ti, que vens ao encontro de nós pecadores, 
te consagramos neste dia todo nosso ser e todo nosso amor. 
Consagramos-te também nossa vida, 
nossos trabalhos, nossas alegrias, 
nossas enfermidades e nossas dores. 
Concede a paz, a justiça e a prosperidade a nossos povos. 
Tudo o que temos e somos colocamos sob teus cuidados, 
Senhora e Mãe nossa. 
Queremos ser totalmente teus 
e percorrer contigo o caminho de plena fidelidade 
a Jesus Cristo em sua Igreja. 
Não nos soltes de tua mão amorosa. 
Virgem de Guadalupe, 
Mãe das Américas, 
te pedimos por todos os bispos, 
para que conduzam os fiéis por caminhos de intensa vida cristã, 
de amor e de humilde serviço a Deus e às almas. 
Contempla esta imensa messe, 
e intercede para que o Senhor infunda fome de santidade 
em todo o Povo de Deus, 
e envie abundantes vocações sacerdotais e religiosas, 
fortes na fé e zelosos dispensadoras dos mistérios de Deus. 
Concede aos nossos lares 
a graça de amar e respeitar a vida que começa, 
com o mesmo amor com que concebeste em teu seio 
a vida do Filho de Deus. 
Virgem Santa Maria, 
Mãe do Formoso Amor, 
protege nossas famílias, 
para que estejam sempre muito unidas, 
e abençoe a educação de nossos filhos. 
Esperança nossa, 
lança-nos um olhar compassivo 
ensina-nos a procurar continuamente a Jesus 
e, se cairmos, ajuda-nos a nos levantar, 
a nos voltarmos a Ele, 
mediante a confissão de nossas culpas e pecados 
no sacramento da Penitência, 
que traz serenidade à nossa alma. 
Nós te suplicamos 
para que nos concedas um grande amor 
a todos os santos Sacramentos, 
que são as pegadas de teu Filho na terra. 
Assim, Mãe Santíssima, 
com a paz de Deus na consciência, 
com nossos corações livres do mal e do ódio 
poderemos levar a todos a verdadeira alegria 
e a verdadeira paz, 
que vem de teu Filho, 
nosso Senhor Jesus Cristo, 
que com Deus Pai e com o Espírito Santo 
vive e reina pelos séculos dos séculos. 
Amém.

Sua Santidade o papa João Paulo II México, janeiro de 1979.

sábado, 31 de março de 2018

20-NOSSA SENHORA DO Ó, 8 DE DEZEMBRO


     É possível que muitos católicos nunca tenham ouvido falar em Nossa Senhora do Ó, e, dos que já conhecem o título, talvez poucos saibam seu significado. 
     E no entanto há em São Paulo uma paróquia cuja padroeira é Nossa Senhora do Ó. É uma paróquia que tem sua história, "por ser uma das mais antigas de São Paulo; é uma legítima tradição piratiningana, a resistir ao desgaste do tempo e a falar do passado de São Paulo, onde quase nada mais resta que nos lembre os encantos e atrativos das cousas de antanho", como diz o jornal de onde extraio a notícia.
     A primitiva capela data de 1618. Elevada posteriormente à freguesia, essa localidade conserva ainda a antiga denominação, agora geralmente substituída pelo nome canônico da paróquia.
     A Freguesia do Ó pode ufanar-se de ser, em São Paulo e talvez no Brasil, a única, e no mundo uma das poucas paróquias postas sob a égide de Nossa Senhora com o título da expectação de seu parto virginal. E aí está a explicação desse "Ó": a última semana do Advento, a Igreja a denominou semana da expectação ou da esperança, sugerindo-nos a recordação dos santos júbilos e anseios amoráveis com que a Virgem Santíssima aguardava o nascimento de seu Filho.
     Eis a origem da festa de Nossa Senhora da Expectação ou da Esperança ou do Ó. Esta festa chama-se também do Ó (Nossa Senhora do Ó) por causa dos grandes desejos da Igreja, durante esses oito dias, de ver nascido o Salvador do mundo, manifestando esses desejos por meio de umas antífonas do Ofício ou Breviário, as quais começam todas pela exclamação "O": O sapientia, O Adonái, O radix Jesse, O clavi David, O Oriens, O Rex Gentium, O Emanuel, terminando todas pela invocação "Veni" (vem).
     A essas súplicas fervorosas dirigidas ao Verbo, rogando-lhe que desça a salvar e felicitar o mundo, é que se dá o nome de OO.
     São preces ardentes tiradas das mais notáveis passagens da Escritura, pelas quais a Igreja, penetrando no espírito e no sentimento dos antigos patriarcas e profetas, manifesta, à imitação desses santos personagens, os fervorosos desejos que tem de ver nascido da Santíssima Virgem o Divino Salvador, o desejado das nações. 
     E, se todos os santos do Antigo Testamento suspiravam com tanto ardor e ânsia pelo nascimento de Jesus, quais não seriam os desejos daquela que ele havia escolhido para sua Mãe virginal, sobretudo quando se aproximava o tempo de seu ditoso parto?
     Eis a origem da festa da Expectação de Nossa Senhora, ou de Nossa Senhora da Expectação, e sua razão de ser. Eis a origem e o significado do título popular- Nossa Senhora do Ó.

Oração

“Doce Virgem Maria, 
cujo coração foi por Deus preparado 
para morada do verbo feito carne 
pelas inefáveis alegrias da expectação 
de vosso santíssimo parto, 
ensinai-nos as disposições perfeitas 
de uma íntegra pureza no corpo e na alma, 
de uma humildade profunda no espírito e no coração, 
de um ardente e sincero desejo de união com Deus, 
para que o meigo fruto de vossas benditas entranhas, 
venha a nascer misericordiosamente em nossos corações, 
a eles trazendo a abundância dos dons divinos, 
para redenção dos nossos pecados, 
santificação de nossa vida 
e obtenção de nossa coroa no Paraíso, 
em vossa companhia. 
Assim seja. Amém.”