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sábado, 3 de dezembro de 2022

67-NOSSA SENHORA DA PENHA DE FRANÇA, DIA 8 DE SETEMBRO

    Nossa Senhora da Penha é o título da Virgem Maria que teve início quando um monge francês chamado Simão sonhou com uma imagem de Nossa Senhora que estava enterrada no alto de uma montanha de difícil acesso. A imagem estaria enterra ali por causa de uma guerra entre franceses e muçulmanos. Os católicos escondiam suas imagens para que elas não fossem destruídas pelos invasores islâmicos. No sonho, a imagem aparecia cercada de luz e acenando para que ele fosse procurá-la. Simão procurou pela serra durante cinco anos, sem sucesso. Mas, então, num dia especial, teve a informação de que a serra que ele descrevia chamava-se Penha de França e ficava no norte da Espanha. Simão Vela dirigiu-se para lá o mais rápido que pode.
O local onde repousava Nossa Senhora da Penha
    No norte da Espanha havia uma serra muito alta e íngreme, com pontas de rochas no alto. A serra se chamava Penha de França e ficava na província de Salamanca. Ali, acredita-se que o Rei Carlos Magno teria lutado contra a invasão dos mouros.
    À procura da imagem, Simão caminhou três dias e três noites ininterruptamente. Ele fez isso porque, segundo sua própria narrativa, em seus êxtases, ele ouvia sempre a advertência divina dizendo-lhe: Simão, vela e não durma! Por essa razão ele passou a ser chamado de Simão Vela.
O encontro com a Virgem Maria
    Passados os três dias, já exausto, escalando montanhas íngremes, Simão parou para descansar. Nesse momento, ele viu uma formosa senhora com o filho ao colo sentada perto dele. Esta Senhora lhe indicou o lugar onde encontraria o que procurava. Assim, ajudado por alguns pastores da região, Simão Vela conseguiu encontrar a imagem que tinha avistado em sonho. Foi um momento de profunda alegria e de reconhecimento da revelação divina. Emocionado e grato, Simão Vela reconheceu também que aquela Senhora que lhe revelara o lugar era, na verdade, Maria com Jesus em seu colo.
Capela de Nossa Senhora da Penha
    Simão Vela construiu uma capelinha muito simples naquele local e começou a viver ali, pensando que teria uma vida de monge, isolada e tranquila. O lugar, porém, logo ficou famoso pelo grande número de milagres e graças alcançadas por intermédio de Nossa Senhora da Penha, como passou a ser chamada a Virgem Maria por causa de sua aparição na serra Penha de França. Simão Vela não poderia imaginar que, mais tarde, seria construído um dos mais ricos e grandiosos templos da Cristandade em honra a Maria da Penha, o Santuário de Nossa Senhora da Penha.
Nossa Senhora da Penha e seus milagres
    Pouco tempo depois da capelinha de Simão Vela começar a ficar famosa, a Espanha foi vítima de uma grande peste que matou grande parte da população. O povo, apavorado, recorreu à intervenção de Nossa Senhora da Penha e sem explicação a peste desapareceu. Mas, um tempo depois, a mesma praga começou a fazer vítimas em Portugal, que faz divisa com a Espanha. Assim, sabendo do acontecido na Espanha, o Senado da Câmara de Lisboa prometeu à Mãe de Deus construir um grandioso templo, se ela livrasse o país da moléstia. A epidemia extinguiu-se quase que imediatamente. Cumprindo a promessa, a Câmara mandou construir um grandioso santuário de louvor a Nossa Senhora da Penha na capital Lisboa.
Milagres em Portugal

    O Santuário português começou a atrair milhares de peregrinos. Então, aconteceu que um devoto subiu até o alto onde ficava o templo, muito cansado, adormeceu.
    Pouco depois, uma grande serpente aproximou-se para picá-lo. Mas neste exato momento, um grande lagarto pulou sobre o homem e o acordou. O homem logo viu a serpente e a matou com seu cajado. É por isso que em algumas representações, a imagem de Nossa Senhora da Penha tem aos pés um peregrino, a cobra e o lagarto.

Devoção a Nossa Senhora da Penha no Brasil

    Devoção a Nossa Senhora da Penha chegou ao Brasil pelos colonizadores portugueses. A primeira capela em sua honra foi construída em Vila Velha, na antiga Capitania do Espírito Santo, entre 1558 e 1570. A construção foi levada a frente por Frei Pedro Palácios, um espanhol cheio de fé e devoto da santa. Depois foi erguida a Igreja da Penha do Irajá (1635).
Hoje o local é conhecido como Convento da Penha, dos franciscanos.

Nossa Senhora da Penha Padroeira de São Paulo

    Na cidade de São Paulo foi erguida uma pequena capela em devoção a Nossa Senhora da Penha de França em 1667 e, em volta dela e por causa dela, desenvolveu-se um dos bairros mais antigos, populosos e tradicionais da cidade: a Penha. Hoje, o local abriga a antiga igreja matriz na região conhecida por igreja velha e a Basílica de Nossa Senhora da Penha (conhecida por igreja nova), cuja pedra fundamental foi lançada em 1957. As duas igrejas são dedicadas a Nossa Senhora da Penha e sua festa é celebrada no dia 8 de setembro.

Nossa Senhora da Penha está presente em centenas de cidades

    Centenas de cidades do Brasil possuem igrejas dedicadas a Nossa Senhora da Penha. Normalmente, as igrejas dedicadas a ela são edificadas no alto de colinas e morros, seguindo a origem da descoberta da imagem pelo Frei Simão Vela: numa montanha.
Imagem de Nossa Senhora da Penha
    Nossa Senhora da Penha é normalmente representada com o menino Jesus no colo, tendo uma coroa na cabeça, estrelas em seu manto representando sua glória e flores à sua volta, representando a vegetação do local onde a imagem foi encontrada.

Oração a Nossa Senhora da Penha

Ó Maria Santíssima, Senhora da Penha, 
em cujas mãos Deus depositou os tesouros das suas graças e favores. 
Eis-me cheio de esperança, 
solicitando com humildade a graça de que hoje necessito (pedido), 
pela qual sou-lhe grato(a) desde este momento.
Recordai-vos, ó Senhora da Penha, 
que nunca se ouviu dizer 
que algum dos que em vós têm depositado toda a sua esperança 
tenha deixado de ser atendido, 
ó boa Mãe. Assisti-nos nas agruras da vida, 
para que façamos delas 
sementes para um mundo mais fraterno e mais humano. 
Enxugai o pranto das pessoas que sofrem 
e consolai os aflitos em suas necessidades. 
Tudo isso vos pedimos por Jesus, vosso Filho e nosso irmão.
Amém.

sábado, 23 de abril de 2022

65-NOSSA SENHORA DE NAZARÉ, 14 DE SETEMBRO

 

    Em meados do século XI, o primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, conseguiu expulsar os mouros de seu território, auxiliado por um grupo de valentes cavaleiros, entre os quais se destacava D. Fuas Roupinho, grande amigo de aventurosas caçadas.

    Certa vez, galopava o jovem fidalgo em perseguição a uma corça numa região de altos penhascos que se debruçavam sobre o Atlântico, quando o animal, no desespero da fuga, atirou-se ao mar. O local estava coberto por espessa neblina e o caçador somente percebeu o perigo, quando viu o precipício sob as patas do cavalo. Instintivamente, lembrando-se de uma pequenina capela da Virgem Maria, que avistara em sua desabalada corrida atrás da corça, Implorou o socorro da Mãe de Deus. No mesmo instante o cavalo estacou subitamente sobre o abismo e com tanta força, que as ferraduras de suas patas traseiras ficaram marcadas no rochedo. 

    Refeito o susto, D. Fuas Roupinho dirigiu-se ao oratório a fim de agradecer a Nossa Senhora por lhe ter salvo a vida. Ajoelhou-se aos pés da imagem e, tomando-a às mãos, encontrou preso a ela um pergaminho. Com grande pasmo leu a história da efigie da Virgem Maria, que já era venerada em Nazaré nos primeiros tempos do cristianismo, e que consta, segundo antiga tradição, ter sido esculpida por São José na presença da Mãe de Deus e posteriormente encarnada por São Lucas.

    Dizia o documento que quando os imperadores do Oriente, sucessores de Constantino, começaram a perseguir o culto das imagens, um monge grego do convento de Nazaré conseguiu tirar da capela uma estátua da Mãe Santíssima, fugindo com ela para a África. De lá a imagem foi levada à Espanha, onde permaneceu durante muito tempo num mosteiro próximo à cidade de Mérida, recebendo a veneração dos fiéis, devido a seus inúmeros milagres. 

    Quando os mouros invadiram a Espanha, o último rei godo D. Rodrigo, após terrível derrota em Guadalete, foi obrigado a fugir e escondeu-se naquele convento. Ao retirar-se rumo ao oeste da Península Ibérica em companhia do frade Romano, levou consigo a referida imagem e algumas relíquias de santos, com medo de que elas fossem desrespeitadas pelos infiéis. Ao chegarem no alto de um escarpado rochedo, junto ao oceano, encontraram uma pequena gruta e ali improvisaram um altar e colocaram a efígie da Virgem Santíssima e as relíquias, mas tiveram o cuidado de deixar junto um pergaminho contando a história da milagrosa imagem.

    Lendo este relato, D. Fuas Roupinho mandou erguer naquele local um santuário que perpetuasse o culto de sua protetora, a qual foi denominada Nossa Senhora de Nazaré, porque era proveniente daquela cidade da Palestina. Mais tarde, por ordem do príncipe D. Fernando, filho de D. João II, foi construída ali uma bela igreja, ricamente ornamentada pela família real. Na baixada próxima ao templo, junto à praia, formou-se a cidade de Nazaré, aglomerado de pescadores e uma das povoações mais tradicionais e características da terra portuguesa.

    A basílica da Senhora de Nazaré, situada no alto do penedo, é visível do mar a grande distância, por isso ela se tornou Padroeira dos Navegantes. Foram eles que propagaram o seu culto, batizando com o seu nome diversas naus que cruzaram o Atlântico e transportando-o para o Brasil, onde se localizou principalmente na Amazônia, no Estado do Rio e em Minas Gerais. 

    Segundo a tradição, certo dia, em meados do ano 1700, um caçador de cor parda chamado Plácido, quando procurava água num igarapé, descobriu uma pequena imagem de Nossa Senhora, coberta de viçosa trepadeira, como se estivesse em um nicho natural. Piedoso e crente, o caçador levou a imagem para a sua pobre choupana erguida à beira da estrada. 

    Ao ter notícia do achado, a vizinhança acorreu para admirar e venerar a imagem da Mãe de Deus, que foi identificada como sendo réplica de Nossa Senhora de Nazaré venerada em Portugal, pois representava a Virgem Maria, sentada numa cadeira com o Menino Jesus ao colo.

    A efigie encontrada por Plácido no meio da selva amazônica desapareceu de sua cabana alguns dias depois, indo localizar-se novamente no nicho natural onde havia sido descoberta. Chegando esse fato ao conhecimento das autoridades, a imagem foi recolhida à sede do governo, em Belém, de onde desapareceu, apesar da vigilância dos soldados. Compreendendo que a Santíssima Virgem desejava ser venerada naquele local, o governador mandou construir um abrigo de palha em torno do nicho de pedras, a fim de protegê-la contra as interpéries. Aos poucos as notícias das graças alcançadas pelos devotos que recorriam à Senhora de Nazaré passou ao conhecimento público.

    Tendo falecido Plácido, coube a Antônio Agostinho a missão de propagar o culto popular à milagrosa imagem, e ele apesar das dificuldades financeiras de uma província onde não havia moeda circulante, conseguiu construir uma ermida. Esta primitiva igreja, edificada de taipa e coberta de palha de ubim e ubuçu, foi posteriormente demolida e em seu lugar ergueu-se hoje uma catedral em estilo neo-romântico, de sabor tipicamente italiano, cuja construção se iniciou em 1909, no tempo áureo da borracha, e a província do Grão-Pará foi dedicada a Nossa Senhora de Nazaré. 

    No segundo domingo de outubro a capital paraense se movimenta para festejar a sua Padroeira. Nesse dia realiza-se o famoso CÍRIO, a maior procissão do norte brasileiro, acompanhada de incalculável assistência de devotos provenientes dos Estados mais próximos e do interior do Pará. Essa cerimônia é famosa em todo o território nacional pela exibição de danças, pagamentos de promessas à velha moda portuguesa, mortalhas e penitências originais. O CÍRIO DE NAZARÉ foi instituído pelo governador D. Francisco de Souza Coutinho em 1790, com grande acompanhamento de povo e excepcional aparato de cavalarias, clarins, continências e filas de viaturas da sociedade paraense de então. A festa se ampliou com o carro dos milagres, luxuosa berlinda que expunha a imagem da Virgem aos fiéis e era toda ornamentada de numerosos ex-votos, enquanto um grande círio (vela) aceso acompanhava a procissão. 

    Apesar de a cidade de Belém ser o principal centro brasileiro do culto de Nossa Senhora de Nazaré, o primeiro templo da Virgem originaria da Palestina, no Brasil, parece ter sido de Saquarema, no Estado do Rio. Contam as crônicas que a 8 de setembro de 1630 a noite fora tempestuosa. O oceano rugia, o temporal derrubava arvores e, como por milagre, as pequenas casas de pau-a-pique escapavam do furor da natureza. De repente a chuva passou, o vento desapareceu, o mar acalmou-se e os pescadores foram em busca de canoas. A imagem da Virgem de Nazaré, que havia sido colocada numa tosca choupana, foi arrancada pela violência das águas e atirada nos rochedos, onde hoje se encontra a matriz. Recolocada na cabana, novamente depois de outra noite de tempestade, ela apareceu sobre a rocha, e de sua boca partia um sorriso, que parecia acalmar a população da aldeia.

    Vendo naqueles acontecimentos a vontade divina, as autoridades civis e religiosas resolveram construir no alto do promontório uma capelinha e sobre o nicho do altar colocaram a imagem de Maria.

    Minas Gerais também dedicou várias igrejas coloniais a esta invocação da Mãe Santíssima, salientando-se as das cidades de Santa Rita Durão, Morro Vermelho e Cachoeira do Campo, nas quais pode-se admirar em antigas pinturas o milagre da Virgem Maria salvando a vida do valente guerreiro cristão D. Fuas Roupinho. 

    A matriz desta última é considerada uma jóia do primitivo barroco mineiro, devido ao seu rico trabalho de talha dourada, que impressionava o visitante, não só pela profusão de ornamentos, como pelo aspecto suntuoso de seus altares. Muito simples na parte exterior, o magnífico templo colonial expressa pela sua riqueza interior o carinho do povo cachoeirense pela sua protetora, a Virgem de Nazaré. 

    As esculturas geralmente representam a Senhora de Nazaré sentada (às vezes de pé) segurando o Menino Deus em seu colo, do lado esquerdo. Ela veste uma túnica presa a cintura, adornada ao pescoço com correntes e colares. Sobre a cabeça tem um longo véu, que cai abrindo até os pés, e usa uma coroa real, assim como seu Filho. É uma imagem de madeira com cerca de 25 centímetros.

    As pinturas das igrejas mineiras mostram o milagre de Nazaré. Nelas a Virgem Maria (de pé ou sentada) aponta para um rochedo, onde se vê o cavalo de D. Fuas Roupinho preso à terra pelas patas traseiras e o fidalgo pedindo socorro à Mãe de Deus, que aparece cercada de nuvens e anjos. Embaixo, o mar e a corça se precipitando nele. Ao lado está a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, em seu santuário original em Portugal. 

    O Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, também referido como Igreja de Nossa Senhora da Nazaré, fica situado no Sítio da Nazaré, um bairro da vila da Nazaré, Portugal. No seu interior, guarda-se a sagrada imagem de Nossa Senhora da Nazaré, que foi, levada de Mérida para este Sítio, no ano de 711. A história desta imagem é contada na Lenda da Nazaré que você viu acima.
    No Sítio existem ainda os três santuários onde se venerou, e venera, a imagem desde que, segundo a lenda, ali chegou no ano de 711, levada por frei Romano, monge do mosteiro de Cauliana. A escolha do destino, no litoral Atlântico, advém porventura da existência nas proximidades de um mosteiro visigótico, do qual subsiste a igreja de São Gião, classificada como Monumento Nacional em 1986.

    Durante a Idade Média apareceram centenas de imagens de Virgens Negras por toda a Europa a maioria das quais, tal como esta, esculpidas em madeira, de pequenas dimensões e ligadas a uma lenda miraculosa. Hoje, existem cerca de quatrocentas destas imagens, antigas ou as suas réplicas, em igrejas por toda a Europa, bem como algumas mais recentes no resto do mundo.

    A verdadeira e sagrada imagem de Nossa Senhora da Nazaré ainda não foi sujeita a uma perícia laboratorial para a datar cientificamente e paralelamente obter a confirmação de se estar perante uma imagem bimilenar ou de uma réplica produzida posteriormente.

ORAÇÃO

Ó Virgem Imaculada de Nazaré, fostes na terra criatura

tão humilde a ponto de dizer ao Arcanjo Gabriel:

"Eis aqui a escrava do Senhor"!

Mas por Deus fostes exaltada e preferida

entre todas as mulheres para exercer a sublime missão

de Mãe do Verbo Encarnado.

Adoro e louvo o Altíssimo que vos elevou

a esta excelsa dignidade e vos preservou da culpa original.

Quanto a mim, soberbo e carregado de pecados, 

sinto-me confundido e envergonhado perante vós.

Entretanto confiando na bondade e ternura

do vosso Coração Imaculado e maternal,

peço-Vos a força de imitar a vossa humildade

e participar da vossa caridade, 

a fim, de viver unido, pela graça, ao vosso Divino Filho, Jesus,

assim como vós vivestes no retiro de Nazaré. Para alcançar essa graça, quero com imenso afeto

e filial devoção saudar-Vos como o Arcanjo Gabriel;

"Ave Maria, cheia de graça..."

Nossa Senhora de Nazaré, rogai por nós!


domingo, 18 de outubro de 2020

59-NOSSA SENHORA DA LUZ DOS PINHAIS (PADROEIRA DA CIDADE DE CURITIBA, PARANÁ), DIA 8 DE SETEMBRO


        A cidade de Curitiba se iniciou em torno de uma capela, onde a Mãe da Luz era venerada pelos seus inúmeros milagres.
        Conta a história que na segunda metade do século XVII foi encontrada uma pequena povoação no sítio dos Pinhais, onde em 1659 seria fundada a Vila de Nossa Senhora da Luz, onde os penetradores do sertão ergueram uma ermida à Senhora da Luz.
        Com o passar do tempo notaram que a imagem da Virgem tinha sempre os olhos voltados para os campos aos quais os índios chamavam de Curitiba, Pinhais, em tupi-guarani.
Aquela região era habitada pelos índios de etnia caingangues.
        Tal foi a insistência da Virgem, que os sertanejos resolveram sondar a possibilidade da conquista do sítio. Armados como para uma guerra seguiram para a esplanada dominada pelos caingangues, prontos para o combate. (ao lado a foto da basílica em Curitiba)
        Em vez do previsível combate, o que ocorreu foi a acolhedora recepção oferecida pelo cacique Gralha Branca, ou Araxó.
        Os índios concordaram em ceder amigavelmente o terreno aos desbravadores, e o cacique tomou sua vara, símbolo do mando, enterrando-a no local que viria a ser a praça central da futura cidade.               
        Muito simbolicamente, dita vara, ao chegar a primavera, voltou a desabrochar, dando galhos e flores.           
        Nesse local – hoje Praça Tiradentes – foi erguida a igreja em honra a Nossa Senhora da Luz.

ORAÇÃO

Gloriosa Senhora da Luz dos Pinhais, 
aurora fecunda e benfazeja do grande Sol divino 
que iluminou a pobre humanidade 
envolta nas trevas do pecado, 
sede a estrela fulgurante 
que nos guie os passos nos caminhos da perfeição e do bem.
Viestes várias vezes à terra 
trazer aos vossos filhos aflitos 
doce mensagem de paz e de amor. 
Fazei que, aos clarões da vossa bondade, 
eu robusteça a minha fé 
e afervore o meu coração, 
necessitado da graça de Deus.
Abençoai as nossas famílias, 
para que elas sejam santuários de virtudes cristãs 
e células vivas do Corpo Místico de Cristo.
Renovai os costumes da sociedade, 
para que nela reinem a pureza, 
a ordem e a concórdia fraternal.
Iluminai as nossas autoridades, 
para que conduzam os destinos do Estado 
com sabedoria, justiça e espírito cristão.
Virgem mãe, Senhora da Luz dos Pinhais, 
sublime padroeira de Curitiba e da Arquidiocese, 
abençoai os vossos filhos devotos 
que esperam a luz da vossa proteção, 
e pelos méritos infinitos de vosso Divino filho, 
alcançar um dia a eterna posse do Céu.
Amém.

(Oração Catedral Basílica Nossa Senhora da Luz dos Pinhais),
Localizado na Rua Barão do Serro Azul, 31 - Centro
Curitiba - PR | CEP 80.020-180
catedralbasilica@mitradecuritiba.org.br
(41) 3324-5136

sábado, 28 de março de 2020

53-NOSSA SENHORA DA LAPA, DIA 8 DE SETEMBRO

 
        Em 983, quando os mouros dominavam a Península Ibérica, Almansor, califa de Córdoba, invadiu a Lusitânia, devastando os campos, destruindo a ferro e fogo vilas e cidades, martirizando os cristãos e profanando a clausura das casas religiosas.
        Após assolar as províncias entre o Minho e o Douro, o representante de Maomé dirigiu-se para Quintela, em Portugal, atacando e destruindo o convento das freiras beneditinas de Aguiar da Beira, que foram aprisionadas e levadas em cativeiro. Algumas religiosas que conseguiram escapar esconderam em sombria lapa situada nas proximidades uma pequena imagem de Nossa Senhora. 
        Ao lado, vemos uma representação de Frei Bernardo de Brito, de 1635, que mostra Nossa Senhora sendo levada a lapa da Quintela, os Mouros a caminho do mosteiro e mais acima, Joana pastoreando próximo ao local, e abaixo uma imagem de frei Bernardo de Brito.
        Lapa é uma grande pedra ou laje que, ressaltando de um rochedo, forma abrigo.
        E a imagem foi lá deixada por 5 séculos.
        No ano de 1498, apenas alguns pastorinhos de magros rebanhos frequentavam as agrestes paragens; o local era violento e por isso, os pastores tentavam evitar. 

 Mesmo com o temor que o lugar inspirava, uma jovem pastorinha chamada Joana, muda de nascença, que frequentava com insistência as lapas e fraguedos daquele inóspito planalto, onde passava horas e horas a fio, sozinha e abandonada de seus companheiros, mas sempre rodeada de seu rebanho de cabras e ovelhas. Estas, apesar de já terem devorado tudo quanto de comestível se encontrava ao redor, não se afastavam da pastorinha, que não se arredava do local, juntamente a de mais difícil acesso, pelo que era evitada por todos os outros pastorinhos de Quintela. Os animais de Joana, no entanto, estavam gordos, como se tivessem diariamente pasto fresco e reconfortante.
      Aconteceu, porém, que a mãe de joana veio a conhecer a predileção da filha pelo recôndito penhasco, a mil metros com o rebanho por aqueles ermos tão mal afamados, ordenou que não se demorasse na lapa e que seguisse com o rebanho por toda a serra. 
        Obediente como boa filha que era, a muda Joana cumpriu as ordens da mãe, e por isso, no dia seguinte, seus companheiros, com grande espanto, viram-na retira-se de seu bornal uma linda imagem, de rosto tão formoso, pondo-se depois a rezar diante dela, o que fazia todos os dias. 
        Com toda a delicadeza tirava a imagem de seu bornal, colocava-a em cima de uma das mais elevadas pedras da serraria e, depois de rodeá-la de flores silvestres, fazia-lhe sua oração, contemplando-a com os olhos arregalados horas e horas seguidas, como se estivesse a conversar com sua querida imagem, o que lhe era impossível, por ser muda de nascimento. O rebanho, em vez de procurar pasto e alimento, mantinha-se igualmente em muda e admirativa contemplação, como se a melhor forragem fosse seu alimento cotidiano.
        Ao cair da tarde, Joana guardava a imagenzinha no seu bornal, com todo o cuidado e carinho, e, em seguida, com o rebanho, voltava para casa, para no dia seguinte recomeçar suas orações.
        Assim se iam passando os dias, até que chegou o inverno com a neve, o frio, a intempérie própria dessa estação, retendo a pastorinha e suas ovelhas no redil de seu lar.
        Ao lado a imagem de Nossa Senhora da Lapa no santuário de Vazante em Minas Gerais.
        Numa tarde triste e sombria, Joana com sua imagem, estava tão absorta em oração que não se apercebeu das zangas da mãe, que irritada, sem que se soubesse o motivo, toma a imagem e arremessa à fogueira que na lareira ardia.
        Neste mesmo instante um duplo milagre acontece, deixando estarrecidos todos os que observavam a inesperada cena. 
        As chamas afastavam-se da imagem, para poupá-la à sua fúria devastadora, e Joana, a garota muda, soltando um grito aflitivo, lancinante, exclama aterradoramente: 
        "Ó minha mãe! Que fez a minha Mãe?! Quer queimar a SENHORA DA LAPA?!..."
        A mãe, atônita e assombrada com o que vê e ouve, quando, ao querer retirar do fogo a santa imagem, que inconscientemente tinha profanado, sentiu o braço direito paralisado, tolhido, incapaz de fazer o mais simples movimento. E então, de admiração em admiração, ouve a filha contar com toda a clareza e nitidez: 
        "Encontrei esta linda imagem no ponto mais alto da serra, escondida no fundo de uma lapa dos maiores penedos que ali se encontravam, quase impossível de nele entrar, tal a espessura dos silvados, do tojo e do matagal que a escondiam aos olhos profanos. Brilhava no interior da lapa com um estranho fulgor, e foi desde que a retirei de lá a minha companheira inseparável. E deu-me a fala Nossa Senhora da Lapa!".
        Depois de retirada do fogo, todos se puseram de joelhos, pedindo perdão a Deus da profanação cometida, e logo depois foram procurar o pároco da freguesia de Quintela, o qual, ciente do que se passara, colocou a imagem num altar de sua igreja paroquial.
        Novos milagres se operaram. A mãe de Joana recupera a força e o movimento de seu lado paralisado; a pastorinha continua falando, exprimindo com clareza seus pensamentos, e por três vezes a imagem inexplicavelmente desaparece do seu altar na igreja de Quintela, para de novo ser achada por Joana em sua antiga lapa da serra, que conserva seu nome.
        Compreenderam então que Nossa Senhora da Lapa queria permanecer no lugar onde tinha sido encontrada, e por isso foi ali construída sobre o rochedo modesta capelinha que ficou sendo propriedade da freguesia de Quintela.
        Como os antigos burgos que se formavam junto dos castelos e catedrais, assim em torno da modesta capelinha principiaram a aparecer as primeiras habitações, que tomavam grande desenvolvimento, sendo mais tarde o conjunto elevado à categoria de vila. Assim a Lapa deve sua existência e sua prosperidade à circunstância do aparecimento da imagem da Virgem, e à afluência de fiéis e de esmolas deixadas no lugar. O primitivo oratório e as barracas anexas, sob a jurisdição do reitor Vila da Rua, passaram depois para a Companhia de Jesus, estabelecida então em Portugal pela primeira vez e gozando de grande simpatias. 
        Foi notabilíssimo o desenvolvimento que os jesuítas deram ao culto e à devoção de Nossa Senhora da Lapa.
        A igreja atual deve-se a eles, bem como o edifício do colégio, bastante grandioso para a época em que foi construído.
        Uma parte das duas rochas, alongadas e volumosas que constituem a gruta ou pala natural onde foi encontrada a linda imagem de Nossa Senhora, encontra-se atualmente dentro do santuário, a outra parte, por demasiadamente volumosa, ficou num edifício anexo à parte posterior do templo, comunicando com este por uma passagem exterior. 
        Ao entrar pela porta principal do santuário, o visitante depara, no centro, com uma colossal penedia, com o altar do Menino Jesus, fechado por elegante grade de ferro forjado, e, à direita, com a entrada para a gruta de Nossa Senhora da Lapa, à qual serve de cúpula o enorme rochedo.
        A devoção chega no Brasil, principalmente na Bahia e Rio de Janeiro. 
        Em Salvador, o convento de Nossa Senhora da Lapa, construído no século XVIII, projetou-se no cenário histórico brasileiro, durante as lutas pela nossa libertação política, em consequência do assalto praticado pelas tropas portuguesas, comandadas pelo general Madeira de Melo, a 20 de fevereiro de 1823. 
        A abadessa Soror Joana Angélica de Jesus, ao tentar impedir a invasão daquela casa religiosa, foi morta pelos soldados lusitanos, tornando-se a maior heroína da Independência do Brasil.
        No Rio de janeiro existem duas igrejas dedicadas a Nossa Senhora da lapa. A lapa do Desterro, assim denominada por ter sido construída nas proximidades daquele moro, e a Lapa dos Mascates ou Mercadores.
        São Paulo, também tem uma região chamada "Lapa" com sua igreja dedicada a Nossa Senhora da Lapa, ao lado a imagem venerada na paróquia em São Paulo. 

ORAÇÃO
Nossa Senhora da Lapa, 
que há mais de quinhentos anos 
aparecestes em imagem humilde 
à pastora Joana, 
lhe destes o dom da fala 
e na gruta rochosa, 
fizestes descer tantas graças de Deus 
sobre a humanidade! 
Sede sempre a estrela que brilha em nossa vida, 
Mãe Admirável, 
volvei para nós o vosso olhar bondoso 
e atendei-nos em todas as nossas necessidades. 
Dai a paz ao mundo, 
protegei nossas famílias, 
amparai-nos nas horas de aflição 
e aumentai nossa fé. 
Amém.  

sábado, 7 de março de 2020

50-NOSSA SENHORA DA CONSOLAÇÃO (PADROEIRA DA ORDEM AGOSTINIANA), DIA 08 DE SETEMBRO

        O título de Nossa Senhora da Consolação teve origem no primeiro século, já na época dos Apóstolos que tinham em Maria, após a morte de Jesus, o conforto e o amparo na missão de difundir o Cristianismo pelo mundo, os Apóstolos a Ela recorriam como mãe e consoladora de suas tribulações e angústias. 
        Nossa Senhora da Consolação é conhecida como padroeira dos lares, responsável pela harmonia das famílias e conversão dos filhos desviados. Isto se deve, em parte, ao fato da Virgem Santíssima, sob o título de Senhora da Consolação, ter sido invocada por Santa Mônica para salvar Santo Agostinho, seu filho, da vida desregrada em que se encontrava após a morte de seu pai. 
        Nossa Senhora teria aparecido a Santa Mônica e lhe entregue a correia, que é símbolo da Ordem, e mandou Agostinho e "seus filhos", no caso os seguidores da Ordem por ele fundada, cingirem-se com a correia e vestirem o hábito preto. Essa tradição Graças ao auxílio de Nossa Senhora, Santa Mônica teve a felicidade de ver seu filho convertido e tornar-se um verdadeiro cristão. 
        A devoção à Virgem Consoladora dos Aflitos espalhou-se por todos os países, por intermédio dos padres Agostinianos, pois a ela se deve a conversão de seu Santo Patrono. 
        Pode-se dizer que o Brasil nasceu sob a proteção da Virgem Consoladora, pois, antes mesmo de Pedro Álvares Cabral chegar às praias da Terra de Santa Cruz, Vicente Pinzón, navegador espanhol, companheiro de Colombo em suas viagens ao Novo Continente, descobriu um promontório, que se acredita ser o Cabo de Santo Agostinho, ou a ponta de Mucuripe, em Fortaleza, ao qual deu no nome de Santa Maria de la Consolación.
Nossa Senhora da Consolação conta com um grande número de devotos em todos os estados do Brasil.
        O ser humano é criado com o desejo de felicidade, que muitas vezes, busca preencher com vícios e outros pecados. Essa sede de felicidade, somente pode ser encontrada em Deus que é infinito para preencher o vazio infinito do coração do homem.
Somente em Deus podemos encontrar a verdadeira consolação de nossas aflições. E a Santíssima Virgem, verdadeira mãe e medianeira das graças, constantemente suplica a seu Filho que venha em pronto socorro de seus filhos que padecem no grande vale de lágrimas que é a terra.
        A Santíssima Virgem nos consola no caminho de nosso calvário, não para retirar de nós a Cruz, mas para nos apoiar e nos servir de consoladora.
        Em Maria, verdadeiro lírio entre os espinhos, encontramos a consolação de Deus, ministrada como prêmio aos corajosos de seguir o caminho do calvário e serem crucificados.
        A primitiva igreja da Consolação, em São Paulo, foi fundada em 1799 por alguns devotos, no antigo caminho da aldeia de Pinheiros, hoje a conhecida Avenida da Consolação. Eles pediram licença para construir uma capela próxima ao cemitério onde lhes fora doado o terreno, e, logo após a aprovação do prelado, começaram a edificar a pequena ermida, inaugurada um ano depois. A Igreja de Nossa Senhora deu sorte ao novo bairro paulistano que logo começou a prosperar, mudando de aspecto em poucos anos, com vários melhoramentos e obras públicas.
        O desenvolvimento foi tão rápido que em 1840 a igreja da Consolação foi ampliada para melhor atender ao grande número de fiéis que ali acorriam a fim de assistirem aos ofícios religiosos.
        Pouco depois fundava-se a irmandade de Nossa Senhora da Consolação com a dupla finalidade de cuidar do templo e dos morféticos da cidade.
        Em 1907, o antigo santuário da Consolação foi derrubado, cedendo lugar ao que ali se encontra atualmente com sua torre alta e ornamentada interiormente pelos painéis de eminentes artistas nacionais, como Oscar Pereira da Silva e Benedito Calixto. Somente a velha imagem da padroeira não mais voltou ao seu templo, estando hoje em dia no Museu da Cúria Metropolitana. 

ORAÇÃO:
Lembrai-vos ó puríssima Virgem Maria da Consolação,
do poder ilimitado que vos deu vosso Divino Filho, Jesus, 
sobre o seu Coração adorável.
Cheio de confiança na onipotência de vossa intercessão,
venho implorar o vosso auxílio.
Tendes em vossas mãos a fonte de todas as graças
que brotam do Coração amabilíssimo de Jesus Cristo; 
abri-a em meu favor, concedendo-me a graça
que ardentemente vos peço.
Não quero ser o único por vós rejeitado;
sois minha Mãe; sois a soberana do Coração
de vosso Divino Filho.
Atendei, pois, benignamente a minha súplica;
volvei sobre mim vossos olhos misericordiosos
e alcançai-me a graça (...)
que agora fervorosamente vos imploro.
Amém.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

45-NOSSA SENHORA DE LA SALETE (PADROEIRA DA DOMINICA), DIA 19 DE SETEMBRO

        Dominica é uma ilha vulcânica das Pequenas Antilhas, que fica entre Martinica e Guadalupe. Aquele pequeno país de pouco mais de 100 mil habitantes só obteve sua independência política em 1978. Inicialmente colonizada pelos espanhóis, foi no séc. XVI invadida e dominada por piratas franceses.
        A devoção a Nossa Senhora da Salete foi herdada portanto da França, no século XIX. 
        O fenômeno dessa aparição foi detidamente estudado pelas autoridades eclesiásticas e finalmente veio a palavra final do Bispo de Grenoble, D. Felisberto de Bruilhard: "Julgamos que a aparição de Nossa Senhora a dois pastores, no dia 19 de setembro de 1846, numa montanha da Cordilheira dos Andes C..) tem todas as características de verdade e autenticidade e que os fiéis têm razões suficientes para nela acreditar como indubitável e certa".
        Em um sábado de 19 de setembro de 1846, véspera da festa de Nossa Senhora das Dores, Maximino Giraud, com 11 anos, e Melânia Calvat com 14 anos, foram pastorear seu gado na montanha da Salette.
        Cerca de meio dia tomaram sua refeição e, tendo posto os embornais perto da Fontinha (um regato assim chamado pelo povo dos arredores), deitaram-se na relva, distantes um do outro, e adormeceram.
        Despertando a pastorinha pelas 2h30 da tarde, chama o companheiro e diz:
        "Vamos ver onde está o nosso gado". Sobem então até o planalto que domina o vale e daí avistam as vacas deitadas na encosta do monte Gargas. Sossegados, tornam a descer, para buscar os embordais, quando de repente Melânia vê, no fundo do vale, uma luz mais brilhante que a do sol, o qual brilhava em todo o seu esplendor.
        Extasiada ao contemplar aquela estranha luz, Melânia pergunta: "Maximino, não vês lá embaixo aquele grande clarão?" E naquele momento o clarão se entreabre, e as duas crianças avistam no centro uma Bela Senhora cercada de glória, porém em atitude de profunda tristeza. Era a hora das primeiras vésperas de Nossa Senhora das Dores.
        A Bela Senhora, como diziam as crianças, estava sentada numa pedra, com os cotovelos apoiados nos joelhos, e o resto escondido entre as mãos. Os pastorinhos ficam muito assustados, mas a Bela Senhora levanta-se, cruza os braços sobre o peito e diz-lhes:
        "VINDE, MEUS FILHOS, NÃO TENHAIS MEDO: AQUI ESTOU PARA ANUNCIAR-VOS UMA GRANDE NOVA".
        Tranquilizados por aquela voz dulcíssima e maternal, Maximino e Melânia correm para junto dela, A Bela Senhora (assim chamavam sempre as crianças) trazia na cabeça um rico diadema e no curso, que revela a Rainha do Céu e da Terra:
        "SE MEU POVO NÃO QUISER SUBMETER-SE, VEJO-ME FORÇADA A DEIXAR CAIR O BRAÇO DE MEU FILHO. ESSE BRAÇO É TÃO FORTE E TÃO PESADO QUE NÃO POSSO MAIS SUSTÊ-LO. HÁ MUITO TEMPO QUE SOFRO POR VÓS. PARA QUE MEU FILHO NÃO VOS ABANDONE, SOU OBRIGADA A SUPLICAR-LHE INCESSANTEMENTE, E VÓS NÃO FAZEIS CASO. POR MAIS QUE REZEIS, POR MAIS QUE FAÇAIS, NUNCA PODEREIS RETRIBUIR-ME OS CUIDADOS QUE TENHO POR VÓS. DEI-VOS SEIS DIAS PARA TRABALHARDES; SÓ ME RESERVEI O SÉTIMO, E NEM ISSO QUEREIS CONCEDER-ME. EIS O QUE TORNA TÃO PESADO O BRAÇO DE MEU FILHO. AQUELES QUE CONDUZEM CARROÇAS NÃO FAZEM IMPRECAÇÕES SEM ABUSAR DO NOME DE MEU FILHO. SÃO ESTAS AS DUAS CAUSAS QUE TORNAM TÃO PESADO O BRAÇO DO MEU FILHO. SE A COLHEITA SE ESTRAGA, NÃO É SENÃO POR VOSSA CAUSA, BEM VO-LO MOSTREI NO ANO PASSADO, COM A COLHEITA DAS BATATAS, E NÃO FIZERDES CASO; AO CONTRÁRIO, QUANDO AS ENCONTRÁVEIS ESTRAGADAS, ERA ENTÃO QUE PRAGUEJÁVEIS, FALANDO SEM RESPEITO O NOME DE MEU FILHO. ELAS CONTINUARÃO A ESTRAGAR-SE, E, QUANDO CHEGAR O NATAL, NÃO HAVERÁ MAIS".
Nesse ponto do discurso Melânia olhou para Maximino, como que para perguntar-lhe o que significavam as palavras da Bela Senhora, e então a Santíssima Virgem lhes disse: "Não compreendeis o francês, meus meninos; vou falar-vos de outro modo".
        E repetiu no dialeto próprio da região um trecho do discurso, a começar de "SE A COLHEITA" etc., e continuou no mesmo dialeto o seu discurso: "SE TENDES TRIGO, NÃO O SEMEEIS, PORQUE TUDO QUE SE SEMEAR SERÁ DEVORADO PELOS BICHOS, E O QUE AMADURECER CAIRÁ NO PÓ NA EIRA. HAVERÁ UMA GRANDE FOME; ANTES, PORÉM, DE ESSE TEMPO CHEGAR, AS CRIANÇAS DE SETE ANOS PARA BAIXO SERÃO ACOMETIDAS DE UM TREMOR E MORRERÃO NOS BRAÇOS DAS PESSOAS QUE AS TIVEREM NO COLO. OS OUTROS FARÃO PENITÊNCIA POR MEIO DA FOME. AS NOZES E AS UVAS APODRECERÃO".
        Ditas essas palavras, a Santíssima Virgem continuou a falar, porém Melânia nada mais ouvia: é que Maximino recebia um segredo.
        Logo depois a Santíssima Virgem confiava também a Melânia um segredo, e Maximino, por sua vez, nada ouvia.
        Em seguida, a Bela Senhora prosseguiu seu discurso de modo a ser ouvida pelos dois pastorinhos, dizendo-lhes: "SE SE CONVERTEREM, AS PEDRAS E OS ROCHEDOS SE MUDARÃO EM TRIGO, E AS BATATAS APARECERÃO SEMEADAS DA TERRA".
"FAZEIS BEM VOSSA ORAÇÃO, MEUS FILHOS?" Perguntou depois as duas crianças.
"Não Senhora", responderam os dois; "muito bem, não".
        "AH, MEUS FILHOS", tornou a Bela Senhora, "É PRECISO FAZÊ-LA BEM DE MANHÃ E DE NOITE. QUANDO NÃO PUDERDES REZAR MAIS, REZAI AO MENOS UM PAI NOSSO E UMA AVE MARIA. AOS DOMINGOS SÓ VÃO À MISSA ALGUMAS MULHERES IDOSAS, E OS OUTROS NO VERÃO TRABALHAM, E NO INVERNO, QUANDO NÃO SABEM O QUE FAZER, VÃO À MISSA SOMENTE PARA ZOMBAR DA RELIGIÃO".
        Em seguida, a Virgem Maria acrescentou: "NUNCA VISTES TRIGO ESTRAGADO, MEUS FILHOS?" ambos responderam: "Não, Senhora".
        Dirigindo-se então a Maximino, disse-lhe: "MAS TU, MEU FILHO, TU DEVES TÊ-LO VISTO UMA VEZ, PERTO DE COIN, COM SEU PAI. O DONO DA TERRA DISSE A TEU PAI: 'VEM VER COMO O MEU TRIGO ESTÁ ESTRAGADO'. E FOSTES AMBOS. TEU PAI TOMOU DUAS OU TRÊS ESPIGAS E APERTOU-AS ENTRE AS MÃOS, E ELAS SE REDUZIRAM A PÓ. DEPOIS, AO VOLTARDES PARA CASA, TEU PAI TE DEU UM PEDAÇO DE PÃO, DIZENDO-TE: 'TOMA, MEU FILHO, COME PÃO AINDA ESTE ANO, PORQUE NÃO SEI NO QUE COMERÁS NO ANO VINDOURO, SE O TRIGO CONTINUAR A APODRECER'".
        Maxinino respondeu: "É verdade, Senhora; não me lembrava mais".
        A Santíssima Virgem terminou seu discurso com estas palavras: "POIS BEM, MEUS FILHOS, HAVEIS DE COMUNICAR ISTO A TODO MEU POVO".
        Logo depois dirigiu-se para o planalto donde os pastorinhos tinham avistado o gado; seus pés mal roçavam a relva.
        Encantados, os felizes videntes correm atrás dela, alcançando-a no alto da pequena elevação. Melânia coloca-se à sua frente e Maxinino à sua direita.
        A Mãe de Deus ficou aí um momento suspensa entre o céu e a terra,e, depois de olhar para os pastorinhos, ergueu os olhos ao céu e começou a desaparecer.
        Ficara um grande clarão, e, querendo Maximino ajuntar algumas das flores que a Bela Senhora tinha nos pés, tudo desapareceu.
        Voltando ao escurecer, com seus rebanhos, para a aldeia dos Ablanders, depois de terem passado o resto do dia muito contentes, conversando sobre a aparição, Melânia e Maximino contaram a seus patrões tudo o que tinham visto e ouvido na montanha.
        Essa narração, que os pastorinhos fizeram na tarde do mesmo dia 19 de setembro, repetiram-na depois invariavelmente a um número incalculável de peregrinos, como também perante as autoridades religiosas e civis.
        Logo após, no dia 21 de setembro, começaram as romarias ao local de aparição, cuja veracidade foi comprovada por inúmeros milagres. O bispo de Grenoble, a cuja diocese pertencia o sítio da Salete, a 1º de maio de 1852 fundou uma Congregação de Missionários para propagar a mensagem transmitida pela Virgem Maria, assim como a devoção a Nossa Senhora. Foi iniciada a construção do santuário, que ficou pronto em 1879.
        É um templo austero e sombrio, que parece feito para a penitência. Até hoje inúmeros peregrinos vão se ajoelhar perante a imagem da Virgem Santíssima, representada como apareceu aos jovens pastores, vestida com roupas de camponesa, sentada e chorando, com o rosto entre as mãos. Muitos deles sobem o escarpado caminho a pé. Nada mais comovente do que tomar parte no desfile noturno, Á luz das velas, ouvindo destacar-se, no meio do silêncio que domina o planalto, os cânticos que ressoam em louvor de Maria.
        Maximino morreu ainda jovem, mas Melânia Calvat faleceu somente em 1904, em odor de santidade, depois de uma vida repleta de trabalhos e aflições, como uma das fundadoras das "Filhas do Zelo do Divino Coração de Jesus".

(resumo do folheto "Aparição de Nossa Senhora da Salette, editado pelos Reverendíssimos Missionários da Salette).

ORAÇÃO:
Lembrai-vos, ó Nossa Senhora da Salete, 
das lágrimas que derramastes no Calvário.
Lembrai-vos também dos angustiados cuidados
que tendes por mim para livrar-me da justiça de Deus.
Depois de terdes demonstrado tanto amor por mim, não podeis abandonar-me.
Animado por este pensamento consolador venho lançar-me a vossos pés.
Apesar de minhas infidelidades e ingratidões.
Não rejeiteis a minha oração, ó Virgem reconciliadora,
mas atendei-me e alcançai-me a graça que tanto necessito.
Ajudai-me a amar a Jesus sobre todas as coisas.
Eu quero enxugar as vossas lágrimas
por meio de uma vida santa
e assim merecer um dia viver convosco
e desfrutar a felicidade eterna no céu. Amém!

Em breve estará na integra no topo do blog o segredo completo de Nossa Senhora de Salete e já se encontra lá os três segredos de Fátima.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

36-NOSSA SENHORA DAS MERCÊS (PADROEIRA DO PERU), 24 DE SETEMBRO


        No início do século XII quase toda a Península Ibérica gemia sob o jugo muçulmano. Grande número de espanhóis estava escravizado pelos mouros e sujeito aos piores tratos. 
        E foi nesto contexto que a Virgem Maria ganhou mais um título glorioso. A Santíssima Virgem, condoendo-se do sofrimento de seus filhos, quis ser a principal fundadora de uma Ordem Religiosa destinada a prestar socorro a estes infelizes. 
        "Mercês" significa misericórdia, favor, graça, algo que não tem preço nem remuneração.
        Considerada no início padroeira oficial das Forças Armadas, Nossa Senhora das Mercês é cultuada no Peru desde o século XVI. 
        Era invocada como padroeira de toda a nação peruana. A festa anual de Nossa Senhora das Mercês acontece com grande pompa no dia 24 de setembro de cada ano. 
        Essa devoção foi trazida à América, em especial ao Peru, pelos padres mercedários, cuja ordem foi fundada por São Pedro Nolasco, aconselhado por Nossa Senhora, para resgatar os cativos infiéis.
        Conta a história dessa ordem que, na noite de 1º de agosto de 1218, época em que os cristãos da península ibérica eram escravizados pelos mouros, a ponto de perderem sua fé e sua inocência, Nossa Senhora apareceu em sonho a três homens: Pedro, militar francês de origem fidalga, que veio a ser São Pedro Nolasco; Raimundo, um dos mais notáveis teólogos de sua época, mais tarde São Raimundo Peñaforte; e Jaime, piedoso rei de Aragão, convidando-os a fundar uma ordem religiosa com a missão de trazer os cristãos cativos de volta para a fé. 
        A Virgem Maria disse-lhe: "-Deus quer que estabeleça uma Congregação Religiosa para o resgate dos cativos".
        Quando descobriram que os três tiveram a mesma visão, não duvidaram de que esta era a vontade de Deus, e resolveram fundar a Ordem que recebeu o nome de Ordem Real e Militar de Nossa Senhora das Mercês para o Resgate dos Cativos.
       Com a certeza de que esta era a vontade de Deus, iniciaram o trabalho para a criação do Instituto. D. Jaime incumbiu-se da construção de um convento, enquanto Raimundo elaborava os estatutos. 
        A Pedro coube a missão de mestre geral da Ordem. Assim, foi fundada a Ordem de Nossa Senhora das Mercês para o resgate dos cativos, a qual após receber a aprovação do papa espalhou-se por toda a Europa e depois para as Américas, chegando ao Brasil em 1639.
        Além dos votos de pobreza, obediência e castidade, eles faziam o de tornar-se escravos, se fosse necessário, para salvar os prisioneiros.
        Os primeiros milicianos estabelecidos no Brasil vieram de Quito com Pedro Teixeira em 1639, quando o Brasil ainda estava sob o domínio da Espanha, e se localizaram em Belém do Pará.
        No Brasil, a Irmandade de Nossa Senhora das Mercês estabeleceu-se em Ouro Preto, no século XVIII, esforçando-se para libertar escravos negros. 
        Após muito tempo a confraria conseguiu se transformar em Ordem Terceira, com o direito de usar hábitos, capas, correias e também construir o seu templo. 
        Ao lado e acima podemos observar a fachada da igreja de Nossa Senhora das Mercês no Peru.
        A devoção é muito forte em Minas Gerais onde se encontram várias igrejas dedicadas a Nossa Senhora das Mercês. 
        Em Diamantina, no Brasil, sua festa se realiza a 17 de agosto com espetáculos de fogos de artifício, luminárias e foguetes, pois os negros acham que foi ela quem inspirou a Princesa Isabel para libertar os escravos, podemos ver no vídeo a linda festa a Nossa Senhora das Mercês realizada nessa região, assim como o hino dos Mercedários.  
        Em sua iconografia Nossa Senhora das Mercês aparece em geral semelhante à Virgem do Carmo, pois segura uma espécie de insígnia com o brasão dos mercedários. 
        Outras vezes aparece abrigando sob seu manto dois escravos ajoelhados, sendo que um deles tem algemas e grilhões nos braços. 
        O que a identifica é principalmente sua vestimenta, uma túnica presa à cintura e sobre ela um escapulário com as armas da Ordem.

ORAÇÃO:
Virgem Maria, Mãe das Mercês,
com humildade acorremos a Vós,
certos de que não nos abandonais
por causa de nossas limitações e faltas.
Animados pelo vosso amor de Mãe,
oferecemo-vos nosso corpo para que o purifiqueis,
nossa alma para que a santifiqueis,
o que somos e o que temos, consagrando tudo a Vós.
Amparai, protegei, bendizei e guardai
sob vossa maternal bondade a todos
e a cada um dos membros desta família
que se vos consagra totalmente a Vós.
O Maria, Mãe e Senhora nossa das Mercês,
apresentai-nos ao vosso Filho Jesus,
para que, por vosso intermédio
alcancemos, na terra, a sua Graça
e depois a vida eterna.
Amém!

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

34-NOSSA SENHORA LA ANTIGUA (PADROEIRA DO PANAMÁ), 9 DE SETEMBRO

       A história da Padroeira do Panamá é um pouco complexa, e por muitos anos houve disputa se a Virgem merecedora deste título seria a Nossa Senhora da Assunção ou Nossa Senhora de La Antígua (a Antiga).
        No século XIV, a catedral de Sevilha, na Espanha, foi reconstruída. A imagem de Nossa Senhora do primeiro templo, porém, foi conservada, vindo a se chamar Santa Maria, a Antiga, em referência à imagem da antiga catedral. 
        Esta devoção foi a primeira a chegar ao Panamá, em 1510. Estabeleceu-se primeiro no Povoado de Daríen, com a chegada de Vasco Nunes de Balboa e Martin Fernandez de Enciso. 
        Haviam prometido à Virgem dar seu nome ao povoado, se saíssem com vida de uma feroz batalha que tiveram com os nativos. 
        Os espanhóis venceram a batalha e, no local onde então era a casa do cacique indígena chamado Cémaco, ergueram uma igreja em homenagem à Santa Maria de la Antígua. Colocaram ali uma cópia da imagem da Virgem, que haviam trazido desda Espanha, e deram seu nome ao povoado, como prometeram.
        A devoção a Nossa Senhora da Assunção chegou ao Panamá com os evangelizadores franciscanos, cuja fundação fora impregnada por Francisco de Assis com a espiritualidade mariana. A assunção de Nossa Senhora é um dogma de fé da Igreja católica. Inexplicável aos olhos humanos, é motivo de lendas e tradições que são contadas de gerações a gerações. Conta-se que Maria, rodeada pelos apóstolos, fazia suas últimas recomendações, enquanto adormecia em Deus. Mas entre eles faltava um: Tomé, que pregava em terras distantes. Quando este chegou, a Virgem já havia sido levada para o Vale do Cedron onde foi sepultada. Ele não se conformou e exigiu que fosse aberto o túmulo de Maria, pois queria ver e beijar, pela última vez, as mãos de sua mãe santíssima. A todos surpreendeu o fato de nada encontrar no sepulcro, apenas um suave perfume de flores e uma melodia celestial.
        Hoje, em Jerusalém, no Monte Sião, podemos encontrar a Igreja da "Dormição", que segundo consta, foi uma área doada para moradia de Nossa Senhora, pelo mesmo dono que emprestou o Cenáculo para a Santa Ceia de Jesus.
        Em 9 de setembro de 1513, o Papa Leão X criou em Santa Maria a Antiga, a primeira diocese do Panamá, e a capela da Virgem foi elevada a catedral. A dúvida de quem era a verdadeira padroeira começou quando a então Cidade do Panamá foi fundada, em 1519. Foi dada a ordem de que os habitantes de La Antígua se mudassem para lá, e todos obedeceram, deixando La Antígua completamente deserta.              
        Em 1524, a diocese de Santa Maria a Antiga se transladou para a recém-fundada Cidade do Panamá, atual capital. 
        Acontece que a população da Cidade do Panamá começou a celebrar anualmente esta mudança com uma missa de ação de graças. Esta celebração acontece no dia 15 de agosto, festa da Assunção. Assim, para alguns, como mudou a diocese, deve-se mudar também a padroeira. Para outros, o fato de celebrarem a festa da Assunção não exclui o fato de que a padroeira do Panamá continuava sendo Santa Maria de La Antígua. Mudou somente a data e o local, mas não a padroeira.
        A questão só foi decidida em 9 de setembro de 2000, Ano Santo Jubilar, que a Conferência Episcopal Panamenha a proclamou padroeira do país e, em 27 de fevereiro de 2001, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos acolheu a solicitação de declará-la oficialmente padroeira do país.
Abaixo destaca-se a cronologia histórica referente a Nossa Senhora a Antiga
A dedicação, as imagens e a devoção a Santa María, antiga 
padroeira da República do Panamá:

1- O adjetivo "velho" ou "velho" vem do latim, "antiquus", o que significa que ele existe há muito tempo. Quando falamos de Santa María la Antigua podemos pensar na primeira definição dogmática feita pela autoridade suprema da Igreja Católica a respeito da Virgem Maria, quando em 431 o Concílio de Éfeso definiu solenemente a maternidade divina de Maria.

2- A história eclesiástica nos garante que em 432 o Papa Sisto III construído em Roma, na Esquilino, a primeira capela dedicada no Ocidente para a Virgem Maria, proclamada no ano anterior como a mãe de Deus. Sua consagração é celebrada todos os anos em 5 de agosto e hoje é conhecida como a Basílica de Santa María la Mayor. 
Ao lado podemos observar a catedral de Nossa Senhora la Antigua, no Panamá.
3 - Um historiador afirma que em 439 foi enviado a Roma, pelos imperadores do Oriente Theodore II e Eudocium, um ícone que era uma cópia daquele venerado em Constantinopla. Acreditava-se que a pintura havia sido pintada por São Lucas. Esta imagem tornou-se o patrono da casa imperial, como foi recebido pelos imperadores ocidentais Licinia Eudocia e Valentiniano III. O ícone da Santíssima Virgem está em Roma, na Basílica de Santa Maria Maggiore.

4- Depois, um templo foi construído perto do fórum romano dedicado a "Santa María Antica". As ruínas deste templo ainda são apreciadas. De Roma, a dedicação passou para a Espanha e existem várias cidades e vilas onde há um templo ou capela dedicada a Santa Maria la Antigua. 

5- A dedicação depois passou para o Novo Mundo trazida pelos conquistadores que antes de embarcar costumavam ir à Catedral de Sevilha para ser confiada à Virgem para empreender a perigosa e longa jornada, já que há uma capela lateral dedicada a Santa María. a antiga. 

6- Embora existam várias representações de Santa María la Antigua, ou as imagens que existem na Espanha, para a Igreja na América, o encontrado na Catedral de Sevilha tem um valor especial.

7- Aqui estão algumas informações sobre esse afresco. 
a- Origem: é um afresco, com um certo estilo bizantino e estava em algum templo na cidade de Sevilha durante a ocupação dos mouros. 
b- Ele é uma tradição que King St. Ferdinand entraram na cidade no disfarce e ela orou antes de pedir a derrota dos mouros ea conquista de Sevilla. 
c- Em 1248 a mesquita fé muçulmana transformado em uma catedral e foi trazido fresco de Nuestra Señora de la Antigua 
d- em 1401 o Capítulo Catedral decidido a reconstruir a danificada significativamente por terremotos em 1356 e 1395. edifício e no Novo, A atual catedral foi respeitada a capela e a imagem de Nossa Senhora Santa Maria la Antigua.

8- A veneração e afeto por esta imagem foi crescendo e a devoção se tornou importante. Muito provavelmente, Cristóvão Colombo orou diante desta imagem e confiou-se à Virgem Maria antes de embarcar em sua aventura em direção às "Índias Orientais". Em seus navios e nos lugares descobertos, ele deixou memórias marianas. Em sua segunda viagem, em memória da Carabela Santa María que havia encalhado, ele nomeou uma ilha o nome de Nossa Senhora de Antígua. Em sua última viagem em 1502, Colombo tocou as costas panamenhas e fundou em 6 de janeiro de 1503 uma cidade na foz do rio Yebra, que ele chamou de Santa María de Belén. A população incipiente durou apenas três meses quando Colombo foi derrotado pelos índios, perdeu um navio e teve que se retirar. O rio agora é chamado de rio Belén, que divide as províncias de Veraguas e Colón.

9- Em 1501 Rodrigo de Bastidas descobre o Istmo do Panamá, acompanhado por Juan De la Cosa e Vasco Núñez de Balboa. 

10- Em 1508 Diego de Nicuesa foi nomeado governador do Istmo atual do Panamá, que vão desde o Golfo de Urabá para além de Cabo Gracias a Dios em Honduras, território chamado Castilla de Oro. Um Alonso de Ojeda foi dado um outro território, de o golfo de Urabá ao sul, a Cabo de la Vela, chamado Nueva Andalucía. 

11- Em 1509 Alonso de Ojeda travou uma forte batalha em Calamary - hoje Cartagena com uma tribo muito feroz onde morreram 70 espanhóis, entre eles Juan de la Cosa. Ojeda conseguiu salvar a si mesmo, o que foi atribuído à proteção da Santíssima Virgem de Antígua, cuja imagem ele sempre carregava consigo.

12- Em 1510 e Martin Fernandez de Enciso Vasco Nuñez de Balboa fundada na cidade de Cacique Cémaco, na margem oeste do Golfo de Urabá, uma cidade, primeiro com o nome de La Guardia e alguns meses mais tarde dar o nome de Santa María la Antigua, em cumprimento da promessa feita à Virgem se saíssem vivos em confronto com os índios. A cabana do cacique Cémaco foi convertida em uma capela em homenagem a Santa María la Antigua. Aqui foi formada uma comunidade cristã composta de convertidos nativos e espanhóis.

13- Em 1513 de 9 de Setembro Papa Leão X cria a primeira empresa a bula Diócesisde Terra "Pastoralis Officii debitum" transformar a capela de Santa Maria la Catedral Antigua. O primeiro bispo foi Fray Juan de Quevedo, um franciscano, nascido em Bejorís (Burgos) que chegou em Santa Maria la Antigua em junho 1514 acompanhado pelo governador Pedro Arias Dávila. Ele morreu em Barcelona em 24 de Dezembro de 1519. 

14- Em 1515 a 20 de julho declara oficialmente Fernando Rey de Santa María la Antigua como uma cidade, dando seu brasão é carimbada onde a efígie de Santa Maria la Antigua.

15- Em 1519, em 15 de agosto Pedro Arias Dávila fundada a primeira cidade na costa do Pacífico, onde já havia uma pequena comunidade indígena com o nome do Panamá (abundância de peixes e borboletas) e ainda mais com o nome oficial Nossa Senhora da Assunção do Panamá. 

16- Em 1520, o papa Leão X, com Bula de 5 de dezembro, nomeou Frei Vicente Peraza como religioso dominicano como II bispo de Santa María la Antigua. 

17- Em 1524, no final de julho, chega o Bispo Peraza e, por ordem do Governador Pediátrico, o rei da Espanha transfere a sede episcopal para a cidade do Panamá. Este bispo morre pouco depois no Panamá e espalhou-se a notícia de que ele havia sido envenenado. 

18- Em 1533 foi nomeado o Bispo do Panamá, Frei Tomás de Berlanga, que iniciou a construção da nova Catedral.

19- Em 1608, o Bispo Agostinho de Carvajal, agostiniano, 13º bispo do Panamá, consagrou esta segunda catedral. Ele fundou o primeiro seminário sob a direção do PP. Agostinianos que tinham seis alunos e foi chamado: "Seminário de San Agustin". 

20- Em 1671, quando Don Sancho Pardo de Figueroa foi o 19º bispo do Panamá, ocorreu a captura do Panamá pelo pirata inglês Henry Morgan e a queima da cidade. Este bispo governou de 1667 a 1671.

21- Em 1673, o XX Bishop Don Antonio De León abençoou a localização da nova cidade em 21 de janeiro e colocou as cruzes no local para a nova Catedral e para o cemitério. A nova Cidade do Panamá é realocado ao lado de "Puerto Ancón", 5 milhas SW das ruínas, como ele havia aconselhado o monge Português Fray Gonzalo de la Madre de Dios em busca de segurança contra possíveis ataques de piratas. Há ato assinado perante o notário Juan Aranda Grimaldo e o novo governador Don Antonio Fernández de Córdoba

22- Em 1673 o Bispo Dom Antonio De Leon começa a construção do terceiro e atual Catedral que foi continuado pelos bispos Mr. Don Lucas Fernandez de Piedrahita, Don Diego Ladron de Guevara, Don Pedro Morcillo e completado com a ajuda de Bishop O panamenho Don Francisco Javier de Luna Victoria e Castro, que de Trujillo enviou fundos. 

23- Em 1751, em 15 de agosto, o primeiro bispo panamenho Dom Francisco Javier de Luna Vitória e Castro, nascido em 2 de dezembro de 1695 e batizado na Igreja de La Merced, iniciou sua missão pastoral. Ele foi transferido para o Bispado de Trujillo, no Peru, onde morreu em 11 de abril de 1777, depois de ter sido recomendado Arcebispo de Chuquisaca, na Bolívia.

24- Em 1796, no dia 4 de abril, a catedral foi consagrada em honra de Santa María la Antigua pelo Bispo Remigio da Santa e Ortega. 

25- A diocese de Santa Maria la Antigua foi um sufragânea da Arquidiocese de Sevilha (Espanha) desde a sua fundação em 1513 até 1548. Em 1548 ele foi sufragânea da Arquidiocese de Lima (Peru) por ordem do Papa Paulo III. Em 1836, o Papa Gregório XVI tornou sufragânea da Arquidiocese de Bogotá (Colômbia). Em 1901, o Papa Leão XIII fez sufragânea da Arquidiocese de Cartagena (Colômbia). 

26- Em 1903, quando o Panamá se separou da Colômbia foi bispo monsenhor Javier SJ Junguito 

27 Em 1912, foi nomeado bispo de Panamá monsenhor Guillermo Rojas Arrieta, CM e em 1925 foi criado o arcebispo do Panamá.

28- Em 29 de Novembro 1925, a diocese do Panamá foi elevada a Arquidiocese pelo Papa Pio XI, quando ele criou o Vicariato Apostólico de Darién, que incluía as províncias de Colon, Darien. o Distrito de San Blas ou Kuna Yala e o Arquipélago de Las Perlas no Pacífico. Sua sede foi a cidade de Columbus e o primeiro Vigário Apostólico foi o claretiano bispo Juan José Maiztegui, CMF até 1933, quando foi nomeado Arcebispo do Panamá sobre a segunda.

29- Em 1955 a 6 de Março, a Arquidiocese do Panamá foi fundada em Metropolitan por Sua Santidade o Papa Pio XII quando ele criou a Diocese de David, primeiros diocese sufragânea da Arquidiocese do Panamá, seu primeiro bispo Dom Tomas Alberto Clavel Mendez, nascido em Cañazas, Província de Veraguas, que foi secretário do Arcebispo Francisco Beckman e pároco de San Miguel no bairro de Calidonia. Em 1963, em 30 de outubro, o monsenhor Francisco Beckman, CM, morreu em Roma durante o Concílio Ecumênico Vaticano II. SER Marcos G. MacGrath, que era bispo auxiliar, estava encarregado da Arquidiocese como Capítulo Vigário.

30- Em 1964, no mês de abril, assumiu o cargo de terceiro arcebispo do Panamá, monsenhor Tomás Alberto Clavel Méndez, e nomeado seu secretário particular Pbro. José Dimas Cedeño, responsável pela Igreja de Santa Teresita, no bairro de Marañón. 

31-Em 1965, o arcebispo Clavel fundou a Universidade Santa María la Cátolica, nomeando reitor do Rev. Benjamín Ayechu, agostiniano recoleto. Foi a primeira vez que o nome de Santa María La Antigua foi dado a uma instituição da Igreja. O monsenhor Tomás Clavel demitiu-se da Arquidiocese em dezembro de 1968 e realizou um importante trabalho pastoral com hispânicos na Califórnia. Ele era temporariamente o pastor de Chero. Ele retornou à Califórnia, onde morreu em 13 de outubro de 1988. Seu corpo foi enterrado em 21 de outubro na Catedral do Panamá.

32 - Em 1998, no dia 9 de setembro, celebrou-se pela primeira vez no século XX e com grande solenidade a festa de Santa Maria la Antigua e a fundação da Igreja do Panamá. Com vários Bispos do País, numerosos clérigos e fiéis, foi feita uma procissão do Templo de la Merced até a Catedral. Uma imagem vestida de estilo colonial de Santa María La Antigua foi abençoada, doada pela Sra. Lolitín Paredes de Boyd, primeira presidente da Federação Nacional das Mulheres Católicas. Por razões óbvias, o ícone ou a estátua da primeira Catedral de Santa Maria la Antigua não nos alcançou.

33-Em 1998, depois da Páscoa, uma bela pintura de Santa María la Antigua, pintada na Colômbia e doada por Pablo Chávez, foi colocada na parte superior do retábulo da Catedral do Panamá. As características da Virgem nesta pintura nos ajudam a pensar sobre o rosto de uma mulher panamenha. As ruínas da cidade de Santa María la Antigua estão na vizinha República da Colômbia e uma pequena capela dedicada a Santa Maria la Antigua foi construída em memória do primeiro Templo erigido na América continental em homenagem à Santíssima Virgem Maria.

34 - Em 9 de setembro de 1999, o arcebispo José Dimas Cedeño proclamou Santa María como padroeira da arquidiocese do Panamá. Este ato foi ratificado pela Santa Sé através de um documento assinado pelo Cardeal Arturo Medina, Prefeito da Congregação para o Culto Divino em 20 de dezembro do mesmo ano.
35- No ano do Jubileu 2000 em 9 de Setembro na presença do arcebispo de Sevilha, cardeal Carlos Amigo Vallejos hoje OFM, Presidente do Secretariado da Central Episcopado Bispo americano Raul Corriveau, Bispo de Choluteca (Honduras) e todos os bispos Em uma celebração maciça no Ginásio de Roberto Durán, a Conferência Episcopal do Panamá proclamou Santa María como a antiga padroeira da República do Panamá. e a consagração da nação ao Imaculado Coração de Maria foi reiterada. 

36- A Santa Sé ratificou o patrocínio de Santa Maria la Antigua em 27 de Fevereiro de 2001 e fixou seu dia de festa em 9 de Setembro de cada ano, com o posto de solenidade e massa própria para o país inteiro.

37-Atualmente existem duas paróquias na República do Panamá e um seminário maior chamado Santa María la Antigua. Vale a pena notar que várias pessoas, senhoras e senhores, têm o nome de Antígua, o que garante que a devoção a Santa Maria la Antigua está latente na Igreja do Panamá desde a sua criação.

Panamá terá maior imagem de Nossa Senhora do mundo
        O presidente do Panamá Ricardo Martinelli anunciou, em um ato público realizado na capital panamenha, que fará construir uma Imagem de Santa Maria la Antigua, Padroeira do Panamá, que deverá ser a maior do mundo.
        Será mais alta que qualquer outra até agora existente; será maior até que que a Estatua da Liberdade, anunciou hoje o presidente.
        Martinelli não indicou o início da construção do monumento, mas o governante adiantou que a gigantesca imagem será levantada em frente ao passeio marítimo da capital e que o projeto se enquadra nas comemorações de 2013 que celebrarão os 500 anos do descobrimento do Mar do Sul e da criação da primeira Diocese em solo americano.
         O Presidente revelou que a figura da padroeira do Panamá terá o mesmo tamanho da atual torre BBVA, uma construção de 100 metros de altura que foi edificada em 1979, na avenida Balboa, em frente à Bahía de Panamá, y que até 1996 foi a mais alta da cidade.
        A imagem da Virgem será “um ícone da cidade” e será erigida com o apoio do Estado e de empresas privadas.

ORAÇÃO: 
Ó querida, 
padroeira do Panamá, 
que desde o início 
da colonização da América 
acompanhastes vossos diletos filhos, 
intercedei por nós 
junto ao vosso Filho. 
Dai-nos sempre amparo, 
luz e segurança. 
Amém.